Crise climática pode ampliar risco de picadas de cobras venenosas no mundo; entenda motivos
Um só Planeta [Unofficial]
May 22, 2026
O avanço da crise climática e das transformações no uso da terra pode aumentar o risco de acidentes com cobras venenosas em diferentes regiões do planeta nas próximas décadas. A conclusão é de um estudo liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A pesquisa considera que o aquecimento global está alterando o habitat de serpentes e ampliando o contato desses animais com populações humanas. A pesquisa, publicada na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases, analisou a distribuição global de 508 espécies de serpentes consideradas medicamente importantes e projetou como elas poderão se deslocar até 2050 e 2090 em resposta às mudanças climáticas. Segundo os pesquisadores, espécies venenosas da África, Ásia, Europa e Américas já estão migrando para novas regiões devido ao aumento das temperaturas e à perda de habitat causada pelo desmatamento, expansão agropecuária e urbanização. As informações foram publicadas pelo The Guardian. “O encontro entre humanos e serpentes venenosas será maior”, garantiu o pesquisador da OMS e da Universidade de Melbourne, David Williams, ao Guardian. Na hipótese do de Williams, espécies deverão aparecer em áreas onde antes não existiam, o que acarreta mais riscos para populações que não estão acostumadas com esse tipo de ameaça. Saiba mais Mudança climática Os cientistas utilizaram bancos de dados científicos, registros de museus, plataformas de ciência cidadã e observações especializadas para mapear espécies em resolução de 1 km² em todo o planeta. O estudo aponta que muitas serpentes devem perder habitat por causa do calor extremo e da conversão de florestas, áreas úmidas e campos naturais em cidades, monoculturas e pastagens. Algumas espécies podem até enfrentar maior risco de extinção. Mamba negra ou Dendroaspis polylepis Tim Vickers via Wikicommons Outras, no entanto, devem expandir suas áreas de ocorrência. A mamba-negra, uma das cobras mais venenosas da África, pode avançar para partes da África do Sul, Nigéria e Somália. Já serpentes conhecidas como cobras-mocassins-americanas, nos Estados Unidos, podem migrar para regiões mais ao norte, chegando até Nova York. Na Ásia, os pesquisadores projetam que kraits, grupo de serpentes altamente venenosas, podem sair de áreas florestais de Myanmar e do sul da China em direção a cidades densamente povoadas. Saúde pública e desigualdade O estudo estima cerca de quatro milhões de acidentes com cobras por ano no mundo, principalmente em regiões tropicais. Embora a maior parte dos casos não seja fatal, aproximadamente 138 mil pessoas morrem anualmente e outras 400 mil ficam com sequelas permanentes. Os impactos são mais graves em regiões pobres e remotas, onde trabalhadores rurais frequentemente atuam descalços e possuem acesso limitado a serviços de saúde e soros antiofídicos. Segundo os pesquisadores, os resultados do estudo podem ajudar governos a planejar estoques de soros, reforçar estruturas hospitalares e direcionar políticas de prevenção para áreas mais vulneráveis. Amazônia O trabalho também cita serpentes da América do Sul, incluindo espécies encontradas na Amazônia, entre os animais afetados pela combinação entre crise climática e destruição de habitat. O avanço do desmatamento e da ocupação humana sobre áreas florestais pode aumentar encontros também com animais silvestres, fenômeno que especialistas já observam em diferentes regiões amazônicas. Por fim, o estudo reforça que a crise climática não altera apenas temperaturas e regimes de chuva, mas também o comportamento e a distribuição da fauna — criando desafios simultaneamente para biodiversidade, saúde pública e adaptação climática. Mais Lidas
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