Crise climática deve levar cobras mais venenosas da Austrália para áreas urbanas, aponta estudo
Um só Planeta [Unofficial]
April 6, 2026
As mudanças climáticas podem alterar de forma significativa a distribuição de algumas das cobras mais venenosas do planeta, aproximando esses animais de áreas urbanas na Austrália. De acordo com um estudo internacional publicado na revista PLOS Neglected Tropical Diseases e divulgado pela emissora australiana 9News Australia, espécies tóxicas tendem a migrar do interior árido para regiões costeiras, povoadas ao longo das próximas décadas. A projeção é um alerta para riscos à saúde pública, especialmente em um país que concentra algumas das serpentes mais perigosas do mundo, como a taipan-do-interior, a cobra-marrom-oriental e a taipan-costeira. Migração Ainda segundo o estudo, o avanço do aquecimento global deve forçar essas espécies a buscar novos habitats mais favoráveis, deslocando-se em direção ao sul e às zonas costeiras, onde vivem milhões de pessoas. A análise foi conduzida por uma equipe internacional que utilizou modelagem computacional para cruzar dados de distribuição de 508 espécies de cobras venenosas de importância médica com a presença humana. Os pesquisadores também simularam cenários futuros para 2050 e 2090. Os resultados indicam que a cobra-marrom-oriental, a segunda mais venenosa do mundo, é a espécie com maior potencial de contato com humanos. Risco Apesar do cenário projetado, a Austrália registra poucas mortes por picadas de cobra: em média, duas a três por ano. Isso se deve ao acesso rápido a soros antiofídicos e ao fato de que esses animais geralmente evitam áreas urbanizadas. No entanto, essa dinâmica pode mudar com a redistribuição das espécies. Atualmente, muitas dessas cobras estão em áreas de vegetação seca e regiões pouco povoadas. Com o avanço das mudanças climáticas, essas zonas tendem a se tornar menos adequadas, forçando os animais a ocupar novos territórios. O estudo também aponta que a cobra-marrom-oriental deve expandir sua área de ocorrência para o sul, especialmente ao longo da costa leste, uma das regiões mais populosas do país. Por outro lado, espécies adaptadas ao interior, como a taipan-do-interior, podem ter sua distribuição reduzida nas áreas mais quentes e secas do território australiano. Impactos Os resultados têm implicações diretas para políticas públicas, planejamento de saúde e conservação da biodiversidade. “Antes deste estudo, surpreendentemente pouco se sabia sobre a distribuição exata de muitas cobras de importância médica, inclusive algumas espécies distribuídas que causam muitos acidentes”, afirmaram os autores. “Nossas previsões podem ser usadas para decidir onde armazenar determinados soros antiofídicos, como garantir a capacidade adequada das unidades de saúde, como melhorar o acesso à saúde em comunidades remotas em risco e onde concentrar esforços de conservação para espécies ameaçadas”. Numa projeção global, picadas de cobra causam cerca de 138 mil mortes por ano e deixam outras 400 mil pessoas com sequelas, ainda conforme estimativas citadas no estudo. Mais Lidas
Discussion in the ATmosphere