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Cidades podem aquecer mais do que o previsto com o avanço da crise climática, indica estudo

Um só Planeta [Unofficial] February 9, 2026
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O aquecimento global pode pesar ainda mais dentro das cidades do que indicam os modelos climáticos tradicionais. Um estudo, publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), concluiu que, em 81% das 104 cidades tropicais e subtropicais analisadas, o aumento de temperatura urbana deve ser mais intenso do que o estimado a partir das médias regionais. A pesquisa também foi destacada em reportagem de Roberto Peixoto, do G1. Na prática, isso significa que moradores de centros urbanos podem enfrentar um calor superior ao previsto mesmo em um cenário em que o planeta limite o aquecimento a 2 °C acima dos níveis pré-industriais. Amplificação Segundo o artigo científico, quando apenas os modelos climáticos globais são considerados, o aumento médio anual da temperatura da superfície seria de 2,2 °C nas áreas estudadas. Ao incorporar as características específicas das cidades — como menor cobertura vegetal e maior impermeabilização do solo — o aquecimento médio sobe para 2,6 °C. Essa diferença de 0,4 °C representa uma amplificação ligada ao ambiente urbano. Em parte das cidades analisadas, o aumento pode ser ainda mais expressivo. Em 16% dos casos, principalmente, analisando os cenários da Índia e da China, o aquecimento urbano projetado pode chegar a ser entre 50% e 112% superior ao estimado para as áreas ao redor. Em dois municípios avaliados, a elevação projetada da temperatura urbana é o dobro da prevista pelos modelos climáticos tradicionais. Impactados As 104 cidades avaliadas reúnem mais de 50 milhões de habitantes. O estudo se concentrou em municípios de porte médio — entre 300 mil e 1 milhão de moradores — grupo menos estudado do que megacidades, mas que representa grande parcela da população urbana global. Hoje, mais da metade da população mundial vive em áreas urbanas, proporção que pode chegar a 68% até 2050. Brasil O trabalho inclui cidades da América Latina, entre elas municípios brasileiros como Campo Grande. De acordo com o G1, o comportamento das cidades brasileiras tende a diferir do observado em regiões mais áridas da Ásia e do Oriente Médio. Em partes do Brasil, a presença de vegetação e maior disponibilidade de umidade podem reduzir parcialmente a intensidade da chamada ilha de calor urbana. Ainda assim, as cidades seguem aquecendo junto com o clima global — o que pode ampliar a frequência de dias quentes e noites abafadas. Metodologia Os pesquisadores combinaram projeções de modelos climáticos globais com um modelo estatístico baseado em aprendizado de máquina para estimar como fatores como vegetação, umidade e precipitação influenciam o aquecimento urbano. O modelo apresentou coeficiente de determinação (R²) de 0,87, indicando forte capacidade de explicar as variações observadas. Os autores ressaltam que os modelos climáticos tradicionais trabalham com áreas muito amplas e não conseguem captar com precisão o microclima urbano. O estudo sugere que o risco térmico nas cidades pode estar subestimado. Mais Lidas

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