Vida na cidade deixa animais mais ousados e agressivos, aponta estudo global
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May 19, 2026
Animais que vivem em ambientes urbanos tendem a ser mais ousados, agressivos, ativos e exploradores do que indivíduos da mesma espécie em áreas rurais. A conclusão é de uma análise global publicada na revista científica Journal of Animal Ecology e repercutida pelo site Phys.org. O estudo reuniu dados de 80 pesquisas realizadas em 28 países, envolvendo 133 espécies diferentes de aves, mamíferos, anfíbios, répteis e insetos. De acordo com os pesquisadores, a urbanização está alterando o comportamento animal de maneira “consistente” em diferentes partes do planeta. “Descobrimos que, independentemente de onde você esteja no mundo, a urbanização está mudando o comportamento de maneira consistente e previsível. O resultado mais forte foi que os animais pareciam mais propensos ao risco. Eles estão mais ousados”, afirmou a professora assistente de biologia do Lewis & Clark Colega, Tracy Burkhard. Ela é a autora principal do estudo, e a declaração foi reproduzida pelo site Phys.org. Os efeitos foram mais consistentes em aves, grupo que concentra mais de 70% dos dados analisados. Já insetos, anfíbios e répteis representam apenas cerca de 10% das pesquisas disponíveis, o que, segundo os cientistas, detalha uma lacuna no entendimento sobre os impactos das cidades sobre a fauna. Os pesquisadores alertam que o aumento da tolerância à presença humana pode ampliar conflitos entre pessoas e animais silvestres, além de favorecer a transmissão de doenças zoonóticas. “Se os animais estão assumindo mais riscos e se tornam menos avessos à presença humana, teremos muito mais contato com a vida selvagem em determinadas áreas. E isso pode ser ruim tanto para nós quanto para os próprios animais”, disse Burkhard. Ainda conforme a análise, as mudanças comportamentais não estão restritas a espécies tradicionalmente urbanas, como pombos, ratos e gaivotas. O fenômeno também já é observado em espécies associadas a áreas rurais, mas que passaram a ocupar ambientes urbanos. Saiba mais O estudo também destaca a necessidade de planejamento urbano voltado à convivência com a biodiversidade, incluindo a criação de corredores verdes e áreas conectadas para reduzir o isolamento genético das populações animais nas cidades. “Nosso estudo mostra que o esforço de pesquisa é muito desequilibrado entre os grupos animais; em especial, as aves são muito mais estudadas do que anfíbios, répteis ou insetos”, detalhou a diretora de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS), Anne Charmantier, e coautora do trabalho. Mais Lidas
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