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Dieta da Selva: especialistas alertam para riscos de regime radical que elimina frutas, verduras e carboidratos

GQ | Seu Guia de Moda Masculina, Cultura e Lifestyle [Unofficia… June 22, 2026
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Com a promessa de desbloquear o “potencial máximo” do corpo, a Dieta da Selva conquistou seguidores nas redes sociais ao defender uma alimentação baseada quase exclusivamente em alimentos de origem animal. O movimento foi criado pelo influenciador digital Roberto Brandini que, sem formação em Nutrição, popularizou uma dieta com princípios semelhantes aos da carnívora. Autointitulado "ex-afeminado", ele defende que a eliminação de itens tradicionais da mesa dos brasileiros, como arroz, feijão, frutas, verduras e legumes, permite alcançar uma melhor versão de si mesmo. A desculpa é de que esses alimentos são “rações do governo”, que trazem malefícios para o corpo com seus agrotóxicos e outras substâncias prejudiciais a saúde. Com isso, ele criou uma vertente alimentar onde apenas proteínas como carnes e ovos, além de manteiga, são permitidas. Initial plugin text A partir disso se criaram comunidades de homens que também buscam por um padrão de vida elevado, e confiaram nas palavras de Brandini a alcançar isso através da alimentação. Mas a realidade da Dieta da Selva é bem diferente da que o influenciador apresenta para seus 57,2 mil seguidores no TikTok e 1 milhão no Instagram. O nutricionista Guilherme Neves Eberhardt se infiltrou em grupos do Facebook de adeptos à dieta e descobriu que muitas pessoas estão relatando alteração em exames de colesterol, ácido úrico e glicemia, além de efeitos como constipação e mau hálito durante o processo. Segundo especialistas, esses sintomas podem estar relacionados aos desequilíbrios nutricionais provocados por esse tipo de alimentação. Os efeitos negativos O funcionamento correto do corpo humano depende principalmente de uma dieta balanceada, que irá fornecer todos os nutrientes necessários para que não haja problemas em sua saúde. Em dietas restritivas como a Dieta da Selva, que é rica em proteínas e pobre em fibras e carboidratos, as consequências aparecem em pequenos detalhes, até se tornarem grande problemas. Initial plugin text A nutricionista e criadora de conteúdo Isabella Lacerda explica que um dos primeiros órgãos afetados é o intestino, já que essa é uma das maiores reclamações dos usuários que seguem a dieta restritiva. “O intestino precisa de fibras para funcionar e estar saudável. Se ele não tem as fibras, não há hidratação no mundo que empurre o bolo fecal para fora. Então se você só está comendo proteínas, não há nada incentivando as fezes a sair”, explica a profissional em conversa com a GQ Brasil. “Em casos mais sérios, essa constipação crônica pode evoluir para um câncer de cólon ou intestino. Mas essas pessoas só irão sentir isso daqui alguns anos. Esse é um dos principais perigos dessa dieta”, alerta. Durante a dieta, o corpo também entra no estado metabólico de cetose, onde a redução de carboidratos e gorduras faz com que o cérebro se adapte a buscar uma outra alternativa para obter energia para seu funcionamento. Mas ao contrário da crença popular de que isso irá queimar a gordura, o que realmente será consumido é a proteína. "Seu cérebro e seus músculos gostam de carboidratos como fonte de energia. Quando você corta isso, o corpo não vai atrás da gordura, mas da proteína, que sozinha não tem o necessário para manter processos como foco, atenção, memória e síntese celular." Com isso, a pessoa fica mais mal-humorada, cansada, com menos foco e mais falta de atenção. “É como aqueles memes em que a pessoa diz que fica uma semana sem doce e se transforma em um monstro. O processo é o mesmo. A cetose vai machucar e obrigar o seu corpo a usar uma fonte de energia que ele não quer, porque você não está dando insumos o suficiente para ele”, detalha. O estado de cetose, inclusive, faz com que a pessoa exale um mal odor. “Corpos cetônicos fedem. A pessoa começa a exalar um cheiro muito forte de álcool, quase como se você tivesse bebido uma acetona de unha. O bafo fica insuportável, não importa quantas vezes você escove os dentes”, explica Isabella. O excesso de proteínas também pode sobrecarregar os rins, que trabalharão ainda mais para metabolizar essa grande quantidade do nutriente. “Isso aumenta seu ácido úrico, e seu rim terá que trabalhar mais para tentar excretar essa substância”, diz. A nutricionista destaca que o quadro não irá levar uma pessoa a ter anemia, mas pode piorar viscosidade de pele, cabelo e unhas, além da elevação do nível de glicose no corpo, já que o excesso de proteínas também pode apresentar um excesso de calorias, que se transforma em gordura no organismo. Mudança de discurso Recentemente, Roberto Brandini mudou seu discurso sobre os alimentos permitidos na Dieta da Selva após relatos de seguidores que não estavam apresentando uma boa adaptação do organismo ao regime alimentar. “As pessoas estão passando mal e não tendo os resultados que eles prometeram. Então, eles passaram a incluir frutas, legumes e grãos, totalmente o contrário do discurso iniciado em 2024. Hoje, todos eles estão com frutinhas nos pratos. Antes, uma banana ou abacate era completamente inadmissível”, diz Isabella. “Eles estão recalculando rota, porque sacaram que não dá mais para serem tão restritivos. Então quando as pessoas pedem fruta, mas eles dizem que elas não são permitidas por causa dos agrotóxicos, eles usam o discurso de que a pessoa é atleta e pode incluir alguns alimentos que serão bom para eles.” No TikTok, a nutricionista orienta seus 1,7 milhão de seguidores a evitarem métodos nocivos a saúde. Sua principal dica é evitar dietas restritivas que excluam grupos alimentares e não promovam uma alimentação equilibrada no dia a dia. “Toda dieta que te restringe, como as zero carboidratos ou low carb, ou que tenha um manual do que você pode ou não comer pode ser ‘picareta’. Você não vai conseguir sustentar isso por muito tempo. Bem como o jejum intermitente, já que ficar 18 horas sem se alimentar me parece um pouco antiquado”, destaca.

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