O que a sua digestão revela sobre sua energia, seus hormônios e sua vida
Glamour | Home [Unofficial]
June 1, 2026
Há dias em que você acorda leve, focada, com fome de verdade e energia estável. E há outros em que o café não dá conta, os desejos por comida dominam e a sensação de inchaço te acompanha como um acessório incômodo. Não é coincidência. No centro dessa conversa entre o que você come, como você se sente e como seu corpo funciona estão três protagonistas químicos: a grelina, o cortisol e a colecistocinina. Inchaço constante, vontade de beliscar à tarde, cansaço que não se explica só por “muito trabalho”. Muitas vezes buscamos respostas em suplementos milagrosos ou na última tendência de bem-estar, mas a chave pode estar em algo muito mais básico: a digestão. Longe de ser um processo isolado, o sistema digestivo está em diálogo constante com o cérebro e com o sistema hormonal. E a ciência confirma isso. Durante anos aprendemos a medir a alimentação em calorias e restrições, mas raramente a ouvir o corpo. Para Bren Vita (@soybrenvita), nutricionista especializada em nutrição esportiva, a digestão é muito mais do que um processo fisiológico: é um indicador direto de energia, equilíbrio hormonal e bem-estar geral. Inchaço frequente, cansaço, oscilações de humor ou dificuldades para dormir muitas vezes têm origem no intestino. Como os hormônios se relacionam com a digestão? Para entender esse impacto, é importante diferenciar hormônios e neurotransmissores. Neurotransmissores são mensageiros de resposta imediata: são liberados entre neurônios e enviam sinais rápidos, quase instantâneos. Já os hormônios circulam pela corrente sanguínea e atuam em maior escala; seus efeitos são mais lentos, mas sistêmicos. No entanto, algumas moléculas — como a grelina, o cortisol e a CCK — funcionam como hormônios, mas também influenciam diretamente a química do cérebro. Pense em algo comum: pular o café da manhã. O “ronco” que aparece horas depois não é só fome; é a grelina em ação. Produzida no estômago, ela sinaliza ao cérebro que você precisa se alimentar. Mas não para por aí: também tem efeitos neuroativos que podem aumentar o foco e direcionar a atenção para a busca por comida. É um sinal biológico poderoso que conecta digestão e comportamento. Agora imagine o estresse depois de uma apresentação ou de uma discussão intensa. O cortisol, liberado pelas glândulas suprarrenais, prepara o corpo para reagir. Ele mobiliza energia, eleva a glicose e modula neurotransmissores ligados ao humor e à regulação energética. Quando o estresse se torna crônico, esse equilíbrio se perde e surgem desejos — principalmente por açúcar ou sal —, além de cansaço e oscilações emocionais. Não é falta de força de vontade: é bioquímica. A terceira peça do quebra-cabeça entra em cena depois de comer. A colecistocinina (CCK), liberada no intestino delgado, ativa enzimas digestivas e estimula a vesícula biliar. Ao mesmo tempo, envia sinais ao cérebro que geram saciedade. Essa sensação de “já foi suficiente” é uma conversa direta entre o intestino e o sistema nervoso. Como a digestão e as emoções se relacionam? O mais fascinante é que esses hormônios não regulam apenas a fome ou a digestão; eles também influenciam sua energia, concentração e estado de humor. A forma como você se alimenta impacta diretamente a produção e o equilíbrio hormonal. Hábitos como pular refeições, consumir ultraprocessados ou viver sob estresse constante podem alterar esses sinais, favorecendo picos de glicose, ganho de peso ou resistência à insulina. Depois de experimentar dietas muito restritivas sem resultados duradouros, Bren Vita entendeu que o problema não era disciplina, mas desconexão. A chave não está apenas no que você come, mas no que você absorve e em como o corpo utiliza isso. Quando a digestão falha, surgem sinais como ansiedade, sonolência após as refeições ou constipação. Por sua vez, o doutor Kundlas explica que a comida cumpre duas funções essenciais: fornecer energia e oferecer os materiais necessários para manter a química celular. Carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas, minerais, água e fibras não são tendências; são os sete pilares que permitem que o sistema endócrino funcione corretamente. A mudança na alimentação pode ajudar em desequilíbrios hormonais? Em muitos casos, sim. Uma dieta bem equilibrada, rica em alimentos integrais, proteínas magras e gorduras saudáveis, favorece a estabilidade hormonal. Modelos como a dieta mediterrânea — baseada em vegetais, grãos integrais, azeite de oliva e peixe — já demonstraram apoiar a saúde metabólica e endócrina. Também é essencial o estilo de vida: dormir bem ajuda a regular a grelina e a leptina, reduzindo a vontade de comer fora de hora. Controlar o estresse ajuda a manter o cortisol em níveis adequados. Lembre-se de que qualquer mudança na alimentação deve ser acompanhada por um especialista. * Esta matéria foi publicada originalmente em Glamour México e traduzida para melhor compreensão do público brasileira.
Discussion in the ATmosphere