“Hormônio do estresse”: o que acontece com seu corpo quando o cortisol fica alto por muito tempo
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May 21, 2026
O despertador toca e o corpo já acorda cansado. O café vira combustível obrigatório para sobreviver ao dia. A mente não desacelera, o sono piora, a irritação aumenta e até a gordura abdominal parece surgir sem explicação. Em muitos casos, o organismo está funcionando em estado de alerta constante, e o cortisol pode estar por trás disso. Conhecido como “hormônio do estresse”, o cortisol vem ganhando fama negativa ao longo dos anos, mas você sabia que ele é essencial para o funcionamento do corpo? O hormônio participa de funções importantes do organismo, como ajuda a regular o metabolismo, contribui para o controle da pressão arterial, atua na resposta imunológica, influencia processos inflamatórios e prepara o corpo para reagir diante de situações de perigo. O problema, no entanto, começa quando ele deixa de oscilar naturalmente e permanece elevado por tempo demais. Para entender como o hormônio funciona e quais hábitos ajudam a mantê-lo equilibrado, conversamos com José Marcelo Natividade, endocrinologista, metabologista e especialista em Nutrologia com formação pelo Hospital das Clínicas da USP. O cortisol não é o vilão Segundo o endocrinologista, o cortisol tem funções importantes para o organismo e participa diretamente da adaptação ao estresse. “O cortisol é um hormônio produzido pelas glândulas adrenais e está diretamente ligado à nossa capacidade de adaptação ao estresse”, explica. Ele ajuda a regular pressão arterial, glicemia, resposta inflamatória e até o despertar pela manhã. Pela manhã, níveis adequados ajudam a despertar e dar energia, por exemplo. O problema aparece quando o corpo passa a viver em alerta contínuo.“O problema não é o cortisol existir, e sim permanecer elevado por tempo demais”, resume. Quando o estresse vira rotina, o corpo sente Segundo José Marcelo, o organismo consegue lidar bem com picos pontuais de estresse. Mas quando a tensão se torna permanente, o impacto começa a aparecer em diferentes áreas da saúde. “O cortisol deixa de ser benéfico quando sua elevação se torna crônica”, explica. Nesse cenário, o hormônio passa a afetar sono, imunidade, memória, humor e metabolismo. Nessa fase, ele também começa a favorecer o ganho de gordura abdominal e reduzir a imunidade. O médico explica que o cérebro interpreta diversos hábitos modernos como sinais constantes de ameaça. “O corpo entra em estado de alerta permanente, o que cobra um preço alto”, diz. No cérebro, o estresse afeta principalmente o hipocampo, responsável pela nossa memória Unsplash Hábitos que podem desregular o cortisol Se existe um hábito que desregula diretamente o cortisol, segundo o especialista, é a privação de sono. “Dormir pouco ou mal impede a queda natural do cortisol à noite”, afirma. Na prática, isso faz o organismo permanecer acelerado justamente no momento em que deveria desacelerar. “No dia seguinte, o corpo acorda já cansado e em alerta”, explica. O problema, segundo ele, é que esse ciclo acaba se retroalimentando. “Esse ciclo vai se agravando com o tempo”, alerta. Outros hábitos aparentemente comuns também mantêm o cérebro em tensão constante ao longo do dia.“Excesso de cafeína, principalmente no fim do dia, pesa bastante”, explica o endocrinologista. Além disso, o uso contínuo de telas à noite também interfere diretamente na resposta hormonal porque mantém o organismo em tensão. “Tudo isso sinaliza ameaça para o cérebro”. Revistas Newsletter A forma como a pessoa se alimenta também interfere diretamente na regulação hormonal. “Refeições muito pobres em proteínas ou calorias elevam o estresse metabólico”, explica. Segundo o médico, longos períodos de jejum associados ao estresse diário podem aumentar ainda mais a produção de cortisol. Por outro lado, alguns hábitos alimentares ajudam o organismo a entrar em estado de maior equilíbrio. “Carboidratos de boa qualidade à noite podem favorecer a queda do cortisol”, afirma. Ele também destaca a importância do magnésio, presente em vegetais verdes e oleaginosas. “O magnésio tem efeito calmante”, diz. O que ajuda o corpo a desacelerar Embora o cortisol esteja ligado a mecanismos complexos do organismo, José Marcelo afirma que mudanças simples na rotina fazem diferença significativa. “Dormir e acordar em horários regulares é um dos principais hábitos”, afirma. Ele também recomenda reduzir estímulos à noite, especialmente luz intensa e celular antes de dormir. Outro ponto importante é interromper o estado de alerta contínuo ao longo do dia. “Fazer pausas curtas durante o trabalho diminui o estado de tensão constante”, diz. Aprender a impor limites também faz parte do cuidado hormonal. Aprender a dizer não, do ponto de vista hormonal, é terapêutico. Já a atividade física costuma ser uma aliada importante no controle do estresse, mas o especialista alerta que intensidade excessiva pode gerar efeito contrário. “Exercícios moderados reduzem o cortisol e melhoram a resposta ao estresse”, afirma. Mas treinos intensos sem recuperação adequada podem aumentar ainda mais a sobrecarga do organismo. “O corpo entende como mais uma ameaça, não como benefício”, explica. Segundo ele, isso é comum em pessoas que treinam pesado, dormem mal e vivem sob pressão constante.
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