Fêmeas de golfinhos reconhecem e evitam ex-parceiros agressivos na hora de acasalar de novo, revela estudo
Um só Planeta [Unofficial]
June 2, 2026
Os humanos utilizam o conhecimento acumulado para orientar a tomada de decisões, classificando os relacionamentos de acordo com seus benefícios e perdas. Um novo estudo científico, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, revelou um novo comportamento social das fêmeas de golfinho que também se baseia em interações do passado. Estes animais, ao ouvirem os sons únicos que cada golfinho é capaz de produzir, se lembram do comportamento do possível parceiro, caso eles já tenham estado juntos, e evitam os machos mais agressivos durante a nova época de acasalamento. A pesquisa envolveu uma população de golfinhos-nariz-de-garrafa do Indo-Pacífico da Baía dos Tubarões, na Austrália Ocidental, que vem sendo estudada em profundidade há mais de 40 anos, proporcionando informações valiosas sobre suas vidas. Isso inclui auais são os "assobios característicos" de cada macho, como é o comportamento individual dos animais do grupo e o momento em que as fêmeas adultas estão prontas para acasalar – conhecido como cio. Durante a investigação, os pesquisadores analisaram 34 assobios de golfinhos machos e os reproduziram debaixo d'água para 17 golfinhos fêmeas, usando drones para observar suas reações. As fêmeas em idade reprodutiva demonstraram respostas de evitação significativamente mais fortes aos assobios dos golfinhos machos com taxas mais altas de coerção, sugerindo uma consciência de seu comportamento passado, dizem os pesquisadores. Saiba mais Como funciona o acasalamento dos golfinhos As sociedades dos golfinhos-nariz-de-garrafa são complexas, e os golfinhos machos e fêmeas geralmente se conhecem há décadas, disse ao The Guardian a professora Stephanie King, especialista em comportamento animal da Universidade de Bristol, na Inglaterra. Durante a época do cio, os machos frequentemente trabalham juntos – em pares, trios ou até grupos maiores – para ter acesso às fêmeas, conduzindo-as agressivamente para “consortes”, eventos de acasalamento que podiam durar de horas a semanas. As relações podem envolver mordidas e golpes, que não só podem machucar as fêmeas, como também as fazem perder um tempo crucial de busca por alimento, presas nas interações. “Eles podem restringir os movimentos das fêmeas. Vão querer mantê las nas áreas que preferem, porque assim elas ficam perto de outros machos que podem ajudá-los a defender essa fêmea dos rivais", diz a pesquisadora, que acredita que, com o passar do tempo, é provável que as fêmeas tenham observado esses comportamentos e passado a evitar os machos mais agressivos. Mais Lidas
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