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Estudo coloca belugas para se verem no espelho — e elas parecem se reconhecer

Galileu [Unofficial] May 24, 2026
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Se você acha que os humanos são os únicos seres no mundo capazes de se reconhecer na frente de um espelho, talvez fique surpreso ao saber que esse comportamento também pode ser observado em outros animais. Um novo estudo mostrou que baleias-beluga também demonstram esse tipo de autoconsciência. A pesquisa, publicada em 20 de maio na revista PLOS One, revelou que as belugas conseguem identificar o próprio reflexo. Para perceber se a imagem refletida corresponde a elas mesmas e não a outra baleia, os animais utilizam o espelho como ferramenta para analisar o próprio corpo, realizando movimentos específicos, dando cambalhotas e observando áreas como a boca. Como aponta Diana Reiss, cientista de mamíferos marinhos e psicóloga cognitiva da Universidade da Cidade de Nova York, e autora do artigo, essa habilidade de reconhecimento não é exclusiva dos humanos. “Temos essa lista de coisas que só os humanos fazem e, com o tempo, fomos marcando [os itens]... mostrando que outros animais também podem fazê-las", afirmou em entrevista à National Geographic. Outros animais também se reconhecem Um estudo de 1970 já havia identificado esse comportamento em chimpanzés, os primeiros animais a demonstrar esse autorreconhecimento diante do espelho. Desde então, Reiss passou a procurar esse comportamento em outras espécies. Golfinhos-nariz-de-garrafa e elefantes asiáticos também demonstraram reconhecer a própria imagem, juntando-se a um grupo que inclui bonobos, orangotangos, gorilas, pegas — uma espécie de ave conhecida por sua inteligência — e peixes-limpadores. Muitos desses animais apresentam comportamentos sociais complexos e sinais de empatia. De acordo com Reiss, os seres humanos começam a demonstrar autoconsciência por volta dos 18 meses de idade. Os golfinhos-nariz-de-garrafa, no entanto, apresentam sinais de autorreconhecimento ainda mais jovens. Observando belugas fêmeas O comportamento desses cetáceos passou a ser investigado por Reiss em 2001. Ao lado de Alexander Mildener, a pesquisadora observou quatro belugas fêmeas que vivem em cativeiro no New York Aquarium: três adultas, Kathy, Marina e Natasha, e Maris, de 7 anos. Para analisar a reação das baleias, os pesquisadores instalaram um espelho em uma das janelas das piscinas durante sessões de duas horas. Além de filmarem as interações com o objeto, eles também registraram o comportamento das baleias diante das placas de acrílico transparente presentes no mesmo espaço. Em 2020, a dupla retomou a pesquisa. Mildener, agora autor principal do estudo, analisou os registros feitos há quase duas décadas. Nas gravações, as belugas apresentaram reações diferentes. Duas delas ignoraram o espelho constantemente, o que, segundo Reiss, pode estar relacionado a fatores como personalidade ou acuidade visual (capacidade de enxergar detalhes). Mãe e filha entretidas diante do espelho Natasha e Maris, mãe e filha, foram as que mais interagiram com o espelho instalado. Na primeira sessão de testes, ambas apresentaram um comportamento típico da espécie ao tentar intimidar outro indivíduo: ao verem o próprio reflexo, bateram as mandíbulas. Durante o chamado “teste de contingência”, no qual é avaliado se o animal entende que os movimentos que observam no reflexo correspondem aos seus próprios, Natasha acenou com a cabeça diante do objeto. Já Maris movimentou a cabeça repetidamente para cima e para baixo e, depois, de um lado para o outro. Com o tempo, os autores do estudo observaram que elas apresentaram uma mudança de movimentos, passando para um comportamento autodirecionado, momento em que as belugas pareciam observar o próprio corpo ao olhar para o espelho. Esses comportamentos envolviam movimentos corporais como rotação do corpo, abertura da boca e brincadeiras com bolhas feitas por elas, que, depois, as recolhiam. Em uma das sessões, Maris se ergueu e bateu suas nadadeiras peitorais em direção ao espelho. Enquanto Natasha levou um objeto até ele e passou a interagir com ele enquanto observava seu próprio corpo refletido. "Esses não são comportamentos que normalmente se vê quando não há um espelho por perto", disse Mildener à National Geographic. "Foi simplesmente lindo de se ver." Mãe e filha também passaram longos períodos observando os próprios reflexos. Ao comparar o comportamento das duas diante do espelho com as reações que tinham perto da placa de acrílico transparente usada como controle no experimento, os pesquisadores concluíram que ambas demonstraram sinais de autorreconhecimento. Após o primeiro teste, os pesquisadores realizaram avaliações com “testes de marcação”, no qual são feitas marcas nos corpos dos animais com uma tinta preta (temporária e não tóxica) e é observado se eles procuram a marca no reflexo. Natasha foi a única a passar no teste. A beluga passou a posicionar a região marcada diante do espelho por um tempo além do esperado, além de pressioná-la contra o objeto diversas vezes. Os próximos passos a serem seguidos pela dupla devem envolver testes parecidos realizados com outras belugas. Segundo Reiss, esse tipo de pesquisa parece agradar os cetáceos, por isso a equipe busca tornar os experimentos o mais interessantes e estimulantes possível para os animais. Para a pesquisadora, estudos como esse podem ter impactos que vão além da compreensão científica sobre a consciência animal. "Descobrir essas capacidades compartilhadas e níveis semelhantes de consciência e autoconsciência em outras espécies parece gerar mais empatia [por elas]", afirmou Reiss.

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