Estados dos EUA vão à Justiça contra decisão de Trump que enfraquece políticas climáticas
Um só Planeta [Unofficial]
March 20, 2026
Uma coalizão de 24 estados, além de cerca de uma dúzia de cidades e condados, entrou na Justiça dos Estados Unidos contra o governo de Donald Trump por enfraquece políticas climáticas dos EUA. A ação, apresentada na Corte de Apelações do Distrito de Colúmbia, contesta a decisão da Environmental Protection Agency (EPA), a agência ambiental do país, de anular o chamado “endangerment finding”, uma conclusão científica de 2009 que reconhecia que os gases de efeito estufa, liberados principalmente pela queima de combustíveis fósseis para geração de energia, representam risco à saúde pública e ao bem-estar. Saiba mais Esse parecer serviu de base para a maior parte das regulações climáticas nos Estados Unidos, incluindo limites de emissões para veículos e usinas de energia. Ao revogá-lo, o governo classificou a medida como “a maior ação de desregulamentação da história do país”. Para os estados autores do processo, a decisão é ilegal. “Quando o governo federal abandona a lei e a ciência, as pessoas sofrem as consequências”, afirmou Andrea Joy Campbell, procuradora-geral de Massachusetts. A ação pede a restauração do parecer e a reversão de outra medida recente da EPA: o fim dos limites para emissões de gases de efeito estufa por veículos automotores. Procuradora-geral de Nova York, Letitia James afirmou que comunidades já enfrentam eventos extremos mais frequentes, como tempestades, enchentes e ondas de calor. “Em vez de ajudar a população a lidar com essa nova realidade, o governo optou pela negação”, disse ao jornal The Guardian. A EPA argumenta que a Lei do Ar Limpo, de 1970, não se aplica ao dióxido de carbono e a outros gases responsáveis pelo aquecimento global, por não se tratar de poluentes com efeitos locais ou regionais diretos. Segundo a agência, sem base legal, o parecer de 2009 não poderia ser mantido. A interpretação contraria décadas de evidências científicas que associam as emissões de gases de efeito estufa ao aquecimento do planeta e à intensificação de eventos extremos, além de impactos na qualidade do ar e na saúde. Médicos e especialistas também criticaram a decisão. Anna Goldman, diretora médica de clima e sustentabilidade do Boston Medical Center, disse que já observa aumento de internações durante ondas de calor, crises de asma relacionadas à fumaça de incêndios e deslocamentos forçados por desastres naturais. “Revogar esse parecer coloca em risco a saúde de todos os americanos”, afirmou. Mais Lidas
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