Grupos pedem que Meta não use reconhecimento facial em óculos inteligentes
Um grupo formado por mais de 70 organizações não governamentais e entidades de direitos civis pede que a Meta não lance um polêmico recurso para os óculos inteligentes da companhia. A demanda envolve a função de reconhecimento facial , que estaria em fase de testes e avaliação para modelos lançados sob marcas como Ray-Ban e Oakley.
De acordo com a Wired , as entidades envolvidas na campanha incluem ativistas de direitos humanos no geral, associações LGBTQ+, trabalhistas, de auxílio a imigrantes e contra violência doméstica. Até o momento, nem a Meta e nem a EssilorLuxottica, que é a dona das marcas de óculos e fabricante dos dispositivos, se pronunciaram sobre o assunto.
O grupo publicou uma carta que foi enviada ao CEO da Meta, Mark Zuckerberg e é assinada por todos os participantes do projeto. Você pode conferir o texto na íntegra no site da American Civil Liberties Union de Massachusetts (em inglês).
O perigo dos óculos inteligentes
Na carta, as entidades pedem que a companhia abandone os planos para lançar o chamado Name Tag, recurso de reconhecimento facial dos óculos inteligentes que foi revelado em fevereiro de 2026 em uma reportagem do The New York Times.
- Na matéria, documentos internos indicam que a Meta planejou lançar o recurso em um momento de "ambiente político dinâmico " nos Estados Unidos, justamente para que grupos da sociedade civil tenham "outras preocupações " e não ataquem tanto a ferramenta;
- A carta menciona a reportagem como uma das fontes e acusa a Meta de tirar vantagem de um "autoritarismo crescente " no país e o "desrespeito ao estado de direito " da atual presidência;
- O grupo diz ainda que a espionagem feita por esses aparelhos não pode ser resolvida “por meio de alterações no design do produto, formas de optar por exclusão ou proteções incrementais ”.
Com essa função, segundo a denúncia, donos mal intencionados desses óculos poderiam identificar pessoas e receber informações sobre elas a partir da assistente de inteligência artificial (IA) embutida no aparelho, usando esse cruzamento de dados para os mais variados crimes.
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"As pessoas deveriam poder se movimentar ao longo da rotina diária sem o medo de que perseguidores, golpistas, abusadores, agentes federais e ativistas de todos os espectros políticos estejam silenciosamente e invisivelmente verificando as suas identidades e potencialmente pareando seus nomes com uma gama de informações prontamente disponíveis sobre hábitos, gostos, relacionamentos, saúde e comportamentos", diz o grupo.
Alguns exemplos de uso criminoso dos óculos da companhia já foram registrados, como uma modificação feita por universitários para identificar pessoas na rua com um software não oficial e a gravação de casos de assédio em casas de massagem.
Além disso, uma denúncia feita no mês passado alega que a Meta "vaza" vídeos íntimos gravados com esses dispositivos para moderadores humanos, que ajudam no treinamento da IA do produto. No Brasil, casos de pessoas filmadas sem autorização e que tiveram o material postado em redes sociais também já foram registrados.
O que diz a Meta
Apesar de não ter comentado oficialmente a carta enviada pelas entidades, a Meta já se pronunciou anteriormente sobre o potencial uso criminoso dos óculos.
No caso de assédio relatado, a companhia diz que baniu as contas envolvidas. Além disso, ela se defende da perda de privacidade sob o argumento de que os acessórios têm "uma luz LED que se acende sempre que alguém captura conteúdo, deixando claro que o dispositivo está gravando , e incluem recursos para impedir a gravação quando a luz é obstruída ".
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