Cientistas desenvolvem vacina terapêutica em spray nasal contra a tuberculose
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July 4, 2026
Ilustração mostra a bactéria responsável pela tuberculose Katerynae Kon/Science Photo Library via Getty Images Pesquisadores da Johns Hopkins Medicine e da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg desenvolveram uma vacina experimental de DNA para tuberculose (TB) que é administrada pelo nariz. A vacina foi projetada para ajudar o sistema imunológico a identificar e atacar bactérias da TB resistentes a medicamentos, conhecidas como "persistentes", que podem sobreviver a longos tratamentos com antibióticos e, posteriormente, desencadear uma recaída da doença. As descobertas foram publicadas no Journal of Clinical Investigation. A tuberculose aflige os seres humanos há pelo menos 6.000 anos e continua sendo uma das doenças infecciosas mais mortais do mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente um quarto da população mundial, cerca de 2 bilhões de pessoas, são portadoras de infecções latentes de TB, sem apresentar sintomas. Em 2024, mais de 10 milhões de pessoas desenvolveram TB ativa e 1,2 milhão morreram da doença, tornando-a a principal causa de morte por um único patógeno infeccioso. Novas abordagens A OMS enfatizou a necessidade de vacinas terapêuticas que possam complementar os tratamentos medicamentosos existentes. Essas vacinas poderiam potencialmente encurtar os longos tratamentoa e melhorar os resultados, especialmente porque as terapias com múltiplos medicamentos podem ser difíceis de serem concluídas pelos pacientes e as formas de tuberculose resistentes a medicamentos continuam a se espalhar. Os resultados do novo estudo da Johns Hopkins sugerem que essa abordagem vacinal pode ajudar a enfrentar esses desafios. "Administrada juntamente com a terapia medicamentosa de primeira linha para tuberculose, nossa vacina de fusão de DNA intranasal ajudou camundongos infectados a eliminar as bactérias da doença mais rapidamente, reduziu a inflamação pulmonar e preveniu a recaída após o término do tratamento", afirma o autor principal do estudo, Styliani Karanika, membro do corpo docente do Centro de Pesquisa em Tuberculose da Johns Hopkins e professor assistente de medicina na Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins. "A vacina também ajudou a potente combinação de medicamentos contra tuberculose, com bedaquilina, pretomanida e linezolida, a funcionar melhor, sugerindo que ela poderia ser usada em tratamentos contra tuberculose resistente a medicamentos para ajudar o corpo a combater a doença, mesmo em casos difíceis de tratar." Como funciona De acordo com Karanika, a vacina combina dois genes, relMtb e Mip3α, e é administrada pelo nariz para aproveitar diversos mecanismos biológicos que podem fortalecer a imunidade contra a tuberculose. "Primeiro, a bactéria da tuberculose possui um gene, relMtb, que produz uma proteína, RelMtb, para ajudar os micróbios a sobreviverem a condições hostis, como exposição a antibióticos, baixo nível de oxigênio e limitação de nutrientes, entrando em um estado persistente de tolerância a medicamentos", diz ela. "A fusão do gene relMtb com o gene Mip3α produz um sinal que atrai células dendríticas imaturas — células-chave que captam proteínas da tuberculose e as 'apresentam' às células T, as células imunológicas que ajudam a coordenar um ataque direcionado à bactéria da tuberculose." A vacina também foi projetada para concentrar a atividade imunológica onde as infecções por tuberculose começam. "Por fim, a administração intranasal concentra a vacinação na mucosa respiratória dos pulmões, onde ocorre a infecção por tuberculose, ajudando a gerar imunidade de células T localizada e duradoura nas vias aéreas e pulmões, juntamente com respostas imunológicas sistêmicas", afirma Karanika. Respostas imunológicas fortes Ao combinar esses mecanismos, os pesquisadores buscaram fortalecer as defesas imunológicas diretamente no trato respiratório. Em experimentos com camundongos, a vacina aumentou o recrutamento e a ativação de células dendríticas, melhorou a organização de células dendríticas e células T no tecido pulmonar e gerou respostas duradouras de células T estimuladas por antígenos — tanto local quanto sistemicamente — de CD4 (também conhecidas como células T auxiliares) e CD8 (também conhecidas como células T citotóxicas). A equipe também avaliou a vacina em macacos rhesus. A vacina de DNA administrada por via nasal gerou respostas imunológicas mensuráveis específicas para tuberculose tanto na corrente sanguínea quanto nas vias aéreas. Essas respostas assemelhavam-se às associadas à redução dos níveis bacterianos nos pulmões de camundongos vacinados. Os pesquisadores observaram que as respostas imunológicas duraram pelo menos seis meses, sugerindo que a vacina pode fornecer proteção duradoura. No entanto, Karanika observa que o estudo com primatas avaliou apenas a ativação imunológica e não testou como os animais responderam a uma infecção real por tuberculose. Ela afirma que pesquisas adicionais serão necessárias antes que a vacina possa avançar para ensaios clínicos em humanos. "Esses dados em primatas não humanos são encorajadores porque mostram que a vacina Mip3α/relMtb pode gerar respostas imunológicas duradouras e estimuladas por antígenos em um modelo animal cujo sistema imunológico se assemelha mais ao dos humanos", diz Karanika. "Isso nos dá uma importante ponte translacional entre os estudos de eficácia em camundongos e o trabalho pré-clínico adicional necessário antes dos ensaios em humanos." Combatendo a persistência da tuberculose Os pesquisadores acreditam que seus resultados apoiam uma abordagem mais ampla: uma estratégia de tratamento mais agressiva que se concentra na eliminação de bactérias persistentes da tuberculose por meio de imunoterapia, em vez de depender exclusivamente de antibióticos para matar bactérias em crescimento ativo. Como as vacinas de DNA são geralmente estáveis e podem ser produzidas de forma eficiente, essa abordagem pode oferecer vantagens práticas se estudos futuros demonstrarem benefícios semelhantes em humanos.
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