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Novo tratamento de câncer pode facilitar a ação do sistema imunológico

Galileu [Unofficial] June 12, 2026
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Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Irvine (UC Irvine), nos Estados Unidos, identificaram um mecanismo que pode aumentar a eficácia de alguns tratamentos contra o câncer. Em um novo estudo, publicado em 10 de junho revista Nucleic Acids Research, a equipe realizou experimentos de laboratório e descobriu que a combinação de duas classes de medicamentos não apenas intensifica os danos ao DNA das células tumorais, mas também ativa sinais inflamatórios que podem ajudar o sistema imunológico a reconhecê-las. Segundo os autores, a estratégia combina inibidores de PARP, medicamentos que impedem que células cancerígenas reparem danos em seu DNA, com inibidores da enzima Topoisomerase 1 (TOP1), uma proteína que atua como um "aliviador de tensão" no DNA, impedindo que a dupla hélice fique retorcida ou emaranhada durante processos biológicos críticos, como a replicação e a transcrição celular. A equipe observou que, quando usados em conjunto, esses medicamentos fazem com que a proteína PARP1 fique presa em regiões danificadas do DNA. Esse processo gera danos adicionais às células cancerígenas e ativa uma via inflamatória conhecida como ATM–NF-κB, importante para a regulação da resposta imune. “Nosso estudo revelou que uma combinação de medicamentos contra o câncer pode fazer mais do que danificar o DNA das células cancerígenas para matá-las”, explica a pesquisadora Elodie Bournique, autora principal do estudo, em comunicado. “Eles também podem desencadear um 'sinal de alarme' dentro das células cancerígenas, alertando o corpo sobre sua presença e recrutando células imunológicas para ajudar a eliminá-las.” De acordo com os pesquisadores, a descoberta ajuda a responder uma questão importante na oncologia: como tornar mais eficazes os tratamentos que atacam o DNA das células tumorais. Os cientistas já sabiam que os inibidores de TOP1 provocam danos ao DNA e que os inibidores de PARP dificultam o reparo desses danos. O que o novo estudo mostrou foi um efeito adicional da combinação. Ao ficar presa nas lesões causadas pela inibição da TOP1, a PARP1 desencadeia uma resposta inflamatória que pode alterar a forma como o sistema imunológico interage com o tumor. “Isso sugere que os inibidores de PARP podem não apenas aumentar a destruição de células cancerígenas, mas também ajudar a estimular sinais inflamatórios associados ao tumor que podem influenciar as respostas imunes”, explicou Rémi Buisson, professor de química biológica da UC Irvine e autor sênior do estudo. Apesar dos resultados promissores, os experimentos foram realizados apenas em laboratório. Agora, os pesquisadores pretendem investigar se o mesmo mecanismo ocorre em modelos mais próximos do câncer humano, incluindo outras linhagens de células tumorais, organoides e, futuramente, estudos em seres vivos. A equipe também quer descobrir se os sinais inflamatórios gerados pela combinação dos medicamentos são capazes de aumentar o recrutamento de células imunológicas e fortalecer respostas antitumorais. Outro objetivo é identificar quais tipos de tumor têm maior probabilidade de se beneficiar dessa estratégia. Segundo os autores, o benefício dos inibidores de PARP pode depender tanto do tipo de câncer quanto da combinação terapêutica utilizada. “No futuro, isso poderá ajudar a orientar combinações de tratamento mais precisas para pacientes cujos tumores têm maior probabilidade de responder ao tratamento”, disse Bournique.

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