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Pela primeira vez, cientistas editam com precisão genes de embriões humanos

Home | Época Negócios [Unofficial] June 5, 2026
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Embrião humano dentro da bolsa amniótica na 52ª semana Art Images via Getty Images Cientistas da Universidade Columbia editaram o DNA de embriões humanos em estágio inicial com uma precisão sem precedentes, uma conquista que pode abrir caminho para bebês geneticamente modificados com características específicas. Essa perspectiva tem gerado controvérsia há anos. Por um lado, a tecnologia pode um dia permitir que os pais corrijam com segurança mutações causadoras de doenças em embriões. Mas também pode ser usada para selecionar características desejadas — uma prática que alguns especialistas em ética argumentam ser nada menos que eugenia, relata o The New York Times. Dieter Egli, geneticista da Universidade Columbia que liderou a pesquisa, defendeu um debate público sobre os prós e os contras da alteração do DNA embrionário. “Como cientista, você pode fornecer os dados para discussão, mas essencialmente você para por aí e deixa que outros assumam o controle”, disse ele ao NYT. Com uma tecnologia mais recente chamada edição de bases, o Dr. Egli e seus colegas conseguiram substituir meticulosamente letras genéticas individuais em sequências de DNA sem causar os danos frequentemente observados com uma forma anterior de edição genética, o CRISPR. Egli alertou que a pesquisa deixou muitas perguntas sem resposta sobre possíveis efeitos colaterais nocivos. “Não estamos dizendo que isso será usado amanhã em clínicas”, afirmou. O estudo foi publicado online. A pesquisa está em processo de revisão para publicação em um periódico científico. Debate acalorado A possibilidade de editar o DNA de embriões humanos tornou-se um tema de sério debate há mais de uma década, após a invenção do CRISPR. Em 2012, cientistas descobriram como criar moléculas personalizadas capazes de recortar um segmento específico de DNA. O CRISPR rapidamente se tornou uma ferramenta padrão para cientistas — uma maneira barata e fácil de descobrir como os genes funcionam, alterando o genoma. Diversas empresas médicas surgiram, buscando usar a tecnologia para tratar doenças hereditárias. Em 2023, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou um tratamento baseado em CRISPR para anemia falciforme. Mas os cientistas sabiam que não era perfeito. Em algumas células, as moléculas de CRISPR não conseguiam encontrar seus alvos no DNA ou, às vezes, cortavam os trechos genéticos errados. Essas preocupações não impediram o cientista chinês He Jiankui de usar a tecnologia CRISPR para alterar o DNA de embriões humanos em 2018. O Dr. He afirmou posteriormente que seu objetivo era conferir às crianças resistência genética à infecção pelo HIV. No entanto, especialistas condenaram seu trabalho como imprudente, e as autoridades chinesas o prenderam por três anos. Experiências com embriões m 2020, o Dr. Egli e seus colegas realizaram um experimento para observar o comportamento da tecnologia CRISPR em embriões humanos. Eles obtiveram esperma doado de homens com uma mutação em um gene chamado EYS, causador de cegueira hereditária. Os pesquisadores usaram o esperma para fertilizar óvulos saudáveis, produzindo embriões humanos com uma cópia funcional do EYS e uma cópia defeituosa. Os pesquisadores usaram a técnica CRISPR para remover a região mutante do EYS. Estudos anteriores sugeriram que o embrião poderia reparar o gene usando a versão saudável como guia. Apenas alguns embriões fizeram isso, resultando em duas cópias funcionais do EYS. Mas o reparo falhou em cerca de metade deles. Alguns removeram longos trechos de DNA. Alguns destruíram o cromossomo inteiro onde o gene EYS está localizado. "As consequências foram absolutamente catastróficas", disse o Dr. Egli. Muitos cientistas e bioeticistas viram esses resultados como mais uma prova de que a edição de embriões humanos era arriscada demais para sequer ser considerada. Agora, Egli e sua equipe enfrentam mais uma vez a crítica de cientistas que temem ver a ciência na mão de ‘aprimoradores de bebês’. No entanto, ainda não está definido se alguém realmente poderia alterar bebês dessa maneira. Muitas características humanas são influenciadas por centenas, ou milhares, de genes. O Dr. Egli observou que quanto mais genes em um único embrião os cientistas tentam reescrever, maior o risco de falha. “Acho que provavelmente é possível combinar três ou quatro, talvez até cinco, mas acredito que haja um limite”, disse ele. “Onde esse limite se encontra ainda precisa ser determinado.”

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