Lelê Saddi fala sobre liderar equipes e criar filhos ao mesmo tempo: "A maternidade me ensinou sobre tempo de qualidade"
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June 2, 2026
Com mais de uma década de trajetória no universo digital, Lelê Saddi comanda um grupo de comunicação com mais de 100 colaboradores e, no último ano, viveu uma das transformações mais intensas que uma pessoa pode passar: a maternidade do seu segundo filho, João, hoje com 8 meses. Ela, que também é mãe de Francisco, 3 anos, afirma que com dois filhos, uma versão mais humana, mais empática e, curiosamente, mais eficiente surgiu e ficou mais forte. Não porque a maternidade seja uma fórmula de produtividade, mas porque quando o tempo se torna mais precioso, as escolhas ficam mais claras. Lelê Saddi com os filhos, Francisco, 3, e João, 8 meses Reprodução/redes sociais Surfista Tatiana Weston-Webb anuncia gravidez e pausa na carreira: “Sempre foi um sonho” O Grupo Pop, que ela fundou há onze anos ao lado do empresário Fernando Bento, começou como uma assessoria de imprensa para marcas de moda e beleza e cresceu para um grupo que, hoje, inclui a HighFy, especializada no gerenciamento de carreira de influenciadores, o WePick, portal de moda e beleza, e a Pop Educ, plataforma de cursos online, além da Pop Comm, a agência de comunicação. Recentemente, ganhou uma nova frente dedicada à criatividade e inovação em marketing. É muito para administrar e é exatamente por isso que entender como Lelê faz esse equilíbrio funcionar na prática é uma conversa que vale a pena ter. A líder que a maternidade ajudou a construir Liderar uma equipe grande já exige muito de qualquer profissional. Fazer isso enquanto se está em meio às descobertas e exigências da maternidade é outro nível de desafio. Para Lelê, no entanto, os dois mundos não estão em guerra: estão em diálogo. "Depois que me tornei mãe, acredito que me tornei uma líder ainda mais empática e humana. A maternidade despertou muito mais esses dois lados em mim." Ela reconhece que separar o lado pessoal do profissional de forma absoluta é, na prática, impossível e que talvez não seja nem o objetivo. "Acho muito difícil separar completamente o lado profissional do pessoal, porque as transformações que vivemos na vida pessoal acabam refletindo diretamente na forma como atuamos no trabalho. Comigo, isso aconteceu de uma maneira muito positiva." Essa transformação chegou à forma como ela confia no time. "Os colaboradores da Pop fazem tudo acontecer e a dinâmica que temos hoje é fruto dessa confiança em nosso time", diz. Aprender a delegar, segundo ela, foi um dos aprendizados mais concretos que a maternidade trouxe para a gestão da empresa. Initial plugin text Mãe e CEO: "A maternidade não pode ser tudo, mas pode ser o que transforma tudo" Tempo como recurso finito e como usá-lo melhor Uma das mudanças mais práticas que Lelê descreve é a relação com o tempo. Antes já organizada, ela se tornou ainda mais pragmática depois da chegada dos filhos. "Me tornei uma pessoa ainda mais pragmática e prática quando o assunto é organização do tempo. Acredito que cada segundo do dia, meu ou de qualquer outra pessoa, é valioso." Isso se traduz em planejamento cuidadoso dos compromissos, atenção constante ao que acontece na empresa e, ao mesmo tempo, um compromisso com a presença real quando está com os filhos ou com a equipe. "Quando estou presencialmente, com eles ou no escritório, busco estar realmente presente, com atenção total e foco na qualidade desse tempo, no olho no olho. Acho que isso faz muita diferença. A maternidade me ensinou, de forma muito clara, o verdadeiro significado de tempo de qualidade." Aprender a avaliar cada espaço na agenda e negar convites ou trabalhos foi outro efeito direto desse processo. "Também aprendi a dizer muito mais não, porque hoje meu tempo é mais limitado. Isso me fez ser ainda mais criteriosa e consciente nas escolhas profissionais, priorizando o que realmente faz sentido e é fundamental." O que ela não abre mão: onde a culpa ainda aparece Toda mãe que trabalha conhece o sentimento. Lelê não esconde que ele também passa por ela. "É um desafio encaixar todos os papéis e estar presente tanto no âmbito familiar quanto no profissional. Muitas vezes, o sentimento de culpa toma conta de mim, mas sempre tento me lembrar de que estou dando o meu melhor em tudo." Para equilibrar esse peso, ela criou marcos inegociáveis na rotina. A manhã é um deles. "Faço muita questão de estar presente na rotina da manhã, nos preparativos para a escola, no café da manhã e em outros momentos do início do dia." O fim do dia segue a mesma lógica: jantar, banho, hora de dormir. São momentos que ela preserva com determinação e só abre mão quando algo profissional realmente exige. Os fins de semana têm proteção semelhante. "Sábado e domingo são dias que priorizo bastante a minha família. Claro que, às vezes, o trabalho exige algum ajuste e isso faz parte, mas na maior parte do tempo procuro preservar esses momentos e estar presente nas fases e na rotina deles." Não é sobre ter tudo ao mesmo tempo o tempo todo. É sobre saber onde estar quando mais importa e construir a estrutura profissional que permite que isso aconteça. Lelê está fazendo as duas coisas ao mesmo tempo. E, pelo que conta, elas estão se alimentando mutuamente.
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