Carol Celico se equilibra na educação de três filhos e diz que limite também é uma forma de amor
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May 16, 2026
Ser mãe de três filhos, Luca, 17, Bella, 15, e Rafael, 2, em fases completamente diferentes da vida ensina muita coisa. Ensina a respeitar tempos distintos, a entender que cada detalhe comunica algo e a tomar decisões que precisam fazer sentido não só agora, mas daqui a dez anos. Foi exatamente esse repertório que Carol Celico levou para a NIINI, marca brasileira de moda autoral que fundou em 2022 e lidera como CEO. "A maternidade me trouxe uma consciência muito grande sobre tempo, propósito e responsabilidade", diz Carol. Carol posa com os filhos Luca, 17, Bella, 15, e Rafael, 2 Divulgação Mãe e CEO: "A maternidade não pode ser tudo, mas pode ser o que transforma tudo" Mais de 70% das mães deixam de buscar novas oportunidades de trabalho devido aos cuidados com a casa e família Com a NIINI consolidada no segmento premium, Carol fala sobre o que acontece nos bastidores de tudo isso: a organização da rotina, a culpa que aparece mesmo quando a agenda está funcionando bem, e a convicção de que presença não se mede em horas, mas em qualidade de entrega. Nesta conversa, ela responde cinco perguntas que toda mãe empreendedora já se fez em algum momento. Confira a entrevista: CRESCER: Como a maternidade influenciou as decisões estratégicas na construção da NIINI, especialmente em momentos de expansão ou reposicionamento? Carol Celico: A maternidade me trouxe uma consciência muito grande sobre tempo, propósito e responsabilidade. Quando você é mãe, entende que cada decisão precisa fazer sentido não só no resultado imediato, mas também no que ela constrói a longo prazo. Na NIINI, isso aparece muito na forma como eu olho para a marca. Não queria criar apenas uma empresa de moda, mas um projeto com identidade, com verdade e com valores que permanecessem. Em momentos estratégicos, a maternidade me ajuda a ter mais sensibilidade para entender ciclos, respeitar processos e tomar decisões com mais profundidade. CRESCER: Empreender exige presença constante. Como você lida com a culpa materna quando o trabalho pede mais de você? Carol Celico: A culpa materna aparece, sim. Acho que toda mãe que trabalha, empreende ou tem uma rotina muito intensa já se viu em algum momento tentando equilibrar esses pratinhos e se perguntando se está fazendo o suficiente. O que eu tento lembrar é que presença não é só quantidade de tempo, mas qualidade de entrega. Quando estou com meus filhos, quero estar inteira, disponível emocionalmente, olhando nos olhos, ouvindo de verdade. E, quando estou na empresa, também preciso estar presente para aquele compromisso, porque ele faz parte de quem eu sou. Com o tempo, fui entendendo que não preciso romantizar essa conta. Tem dias em que pesa, tem dias em que a agenda fica mais difícil, mas ter uma rede de apoio, conversar com a família e respeitar meus limites faz toda diferença. Initial plugin text Mãe do jogador Lucas Paquetá conta como criou, protegeu e gerenciou a carreira dos filhos dentro do futebol Aos 16 anos, esgrimista Ana Beatriz Fraga vira a primeira brasileira campeã de Copa do Mundo e tem o pai como maior aliado CRESCER: Existe algum valor que você faz questão de traduzir na NIINI que nasceu diretamente da sua experiência como mãe? Carol Celico: Com certeza, o cuidado. Mas não o cuidado no sentido frágil da palavra. Falo de cuidado como atenção, responsabilidade, escuta e intenção. A maternidade me ensinou que cada detalhe comunica alguma coisa. Na criação de um filho, você percebe que o ambiente, a rotina, as palavras e até os silêncios têm impacto. Na NIINI, eu levo muito isso para a forma como a marca se posiciona, como as peças são pensadas e como a equipe se relaciona. Também existe um valor muito forte de autenticidade. Como mãe, aprendi que cada filho é único, que não existe uma regra que sirva para todos. Na moda, acredito muito nisso também. A mulher não precisa caber em uma fórmula. Ela precisa se sentir respeitada na própria identidade. CRESCER: Na prática, como você organiza sua rotina para equilibrar demandas emocionais da maternidade com a liderança do negócio? Carol Celico: Eu gosto muito de rotina. Para mim, rotina não é rigidez, é uma forma de trazer segurança para a casa, para os filhos e também para o trabalho. Quando existe uma organização mínima, tudo flui melhor, mesmo nos dias mais intensos. Sempre tento entender quais são as prioridades reais do dia. Tem momentos em que a empresa precisa mais de mim, tem momentos em que meus filhos precisam mais, e eu vou ajustando com muita conversa, apoio e presença, é uma construção diária. Também aprendi a não carregar tudo sozinha. Ter pessoas de confiança ao meu lado, tanto em casa quanto na NIINI, me permite estar mais inteira em cada papel. CRESCER: O que você aprendeu sobre limites — pessoais e profissionais — depois de se tornar mãe? Carol Celico: Aprendi que limite também é uma forma de amor. Antes, muitas vezes, a gente acha que dar conta de tudo é sinal de força. Mas, com a maternidade, fui entendendo que força também está em reconhecer quando precisamos parar, pedir ajuda ou reorganizar a rota. No lado pessoal, aprendi a respeitar mais meu corpo, meu emocional e meu tempo. A maternidade exige muito, fisicamente e emocionalmente, e não dá para cuidar bem de alguém se você está sempre se deixando para depois. No lado profissional, também aprendi a ser mais objetiva com o que realmente importa. Nem tudo precisa ser urgente, nem toda demanda precisa passar por mim e nem todo crescimento precisa acontecer atropelando processos. Hoje, tento olhar para os limites como algo que protege aquilo que é mais precioso: minha família, minha saúde e a minha empresa.
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