Infarto placentário: entenda a condição da influenciadora que descobriu que o filho nasceu sem vida
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May 21, 2026
A influenciadora Lulu Ty, de Fortaleza, Ceará, emocionou a web ao compartilhar que descobriu que seu filho nasceu sem vida após o parto, com 38 semanas de gestação. Segundo os médicos, ela pode ter sofrido um infarto placentário - condição que interrompe o fluxo sanguíneo em partes da placenta e impede que o bebê receba oxigênio. A suspeita é de que o quadro tenha sido provocado por uma trombofilia não diagnosticada. Ela publicou uma carta para o pequeno Leo no Instagram, na última quarta-feira (20), abrindo o coração sobre este momento tão difícil. Lulu descobriu que o filho não havia sobrevivido no parto Reprodução/Instagram "Antes mesmo de você existir dentro de mim, você já era amado. Você foi sonhado, desejado e esperado pelos seus pais com todo amor do mundo. A nossa caminhada não foi fácil. Foram 9 meses difíceis, passando mal todos os dias, vomitando, cansada, mas eu suportava tudo em silêncio porque sabia que você estava bem. Em todos os exames, em cada consulta, você estava crescendo saudável, chutando forte e enchendo nossos corações de esperança, até no seu último pré-natal", começa. Mãe denuncia fala chocante de médico diante de perda gestacional: “Tava torcendo para não ter batimentos” Mãe relata perda de bebê após trabalho de parto: 'Ele já saiu sem vida da minha barriga' "Eu não entendo os planos de Deus. Todo tempo eu me pergunto por que isso aconteceu com a nossa família, por que com você, por que comigo", acrescenta. Segunda ela, o filho parecia saudável ao nascer. "Você era perfeito. Tinha o rostinho do papai, como eu sempre imaginava, e a bochechinha e o pezinho da mamãe", diz. "Meu filho, você teria o melhor pai do mundo. Seu pai já te amava de uma forma inexplicável, sonhava com você todos os dias e seria um paizão exemplar. Agora eu só peço que você olhe pela gente aí de cima. Tenho fé que você virou um anjinho e está nos braços do Senhor Jesus. Você sempre será nosso filho, nosso amor eterno, nosso pequeno Leo", finaliza. Initial plugin text 'A forma como a gente descobriu foi muito triste' A influenciadora conta que fez um acompanhamento ao longo de toda a gestação. Inclusive, uma semana antes do parto, tinha ido em uma consulta e tudo parecia normal. Leo estava saudável, mexendo e se desenvolvendo. Ela também nunca teve sangramentos, cólicas ou qualquer sinal de que algo estava errado. Initial plugin text Quando chegou no hospital, sem citar qual, Lulu afirma que passou por diversos tipos de exame, mas que os médicos não fizeram nenhuma avaliação do bebê - não teve ultrassom nem cardiotoco (exame que mede os batimentos cardíacos fetais). Ela lamenta o fato dos médicos não terem examinado o bebê antes do parto. "Eu sei que isso não traria o Leo de volta, mas pelo menos teria nos preparado para essa dor. A forma como a gente descobriu foi muito triste", diz em vídeo publicado nos stories. Gestante perde bebê após procurar hospital com dores intensas e ser diagnosticada com "gases" No momento do parto, Lulu recorda que viu um líquido escuro saindo. Depois, descobriu que era o mecônio (cocô do bebê). "Isso poderia ter dado uma infecção generalizada em mim. Graças a Deus hoje eu estou viva", diz. Ela conta que não ouviu o bebê chorar, pouco depois, foi informada que ele estava sem vida. "A forma como descobrimos foi desumana", lamenta. Initial plugin text O que é infarto placentário? Os médicos suspeitam que ela tenha sofrido um infarto placentário. A condição é decorrente de tromboses em vasos da placenta, que causam interrupção do fluxo sanguíneo para o bebê. Isso impede a passagem adequada de oxigênio e nutrientes para o feto. A trombose é uma obstrução das artérias e veias, causadas por coágulos que se formam no sangue e essa complicação é comum em casos de trombofilias. Esse tipo de doença, que não inviabiliza a gravidez e pode passar despercebida, também está, no entanto, associada a perdas fetais ou abortos de repetição e deve ser tratada, de preferência, ainda antes da gravidez. Se a doença que causou os infartos persistir (como a trombofilia), pode se repetir em gestações futuras, mas sem uma causa identificável não é possível prever se ocorrerá de novo. Esses casos exigem acompanhamento por equipes que trabalham com gestação de alto risco, com hematologistas, especialistas em medicina fetal, obstetra e enfermagem. O que é infarto placentário? É possível prevenir? Para tentar prevenir o infarto placentário, o recomendado é fazer exames que identifiquem problemas como a trombofolia, que pode ser hereditária ou adquirida, e tratá-la. Se for comprovada a condição, a gestante deve tomar precauções gerais, como uso de meias elásticas, realização de atividade física e controle clínico e obstétrico regular. De acordo com o histórico pessoal e familiar, e com os resultados dos exames, pode ser necessário uso de heparina e/ou ácido acetilsalicílico. O que é trombofilia? A trombofilia é uma tendência ao chamado “sangue grosso”, que, na prática, contribui para o entupimento de veias. Não se trata de uma doença, mas de uma condição que pode ter diferentes causas. Há duas possibilidades. Uma é a trombofilia hereditária, quando a condição está ligada a fatores genéticos. Outra é quando essa condição é adquirida. Neste caso, ela pode ser desencadeada por diversos fatores que aumentam a coagulação do sangue. Entre eles estão o uso de estrogênios, terapia de reposição hormonal, viagens aéreas prolongadas (por causa da pressão), cirurgias, imobilização e também a gravidez. Quando a trombofilia é adquirida, o quadro mais comum é o da síndrome antifosfolípide, ligada à produção de um tipo de anticorpo que estimula a coagulação. Essa condição representa cerca de 60% dos casos. Como o sangue fica mais espesso, pode haver entupimento tanto das veias da mãe como obstrução da circulação do sangue que vai para a placenta. Se metade das veias da placenta entopem, ela começa a se descolar antes da hora – esse é um dos principais riscos para grávida com trombofilia. Nos casos menos agressivos, pode haver obstrução parcial das veias da placenta. Isso reduz o fluxo de sangue e, consequentemente, de nutrientes que chegam ao bebê. Por isso, a trombofilia também está ligada à redução do crescimento fetal. Além disso, quando 90% das veias da placenta ficam obstruídas, o bebê vai a óbito. Isso aumenta o risco de abortos de repetição, assim como de parto prematuro. Em relação à saúde da mãe, uma das complicações mais temidas é a embolia pulmonar, que é quando as artérias ou veias do pulmão ficam obstruídas. Além disso, a gestante com trombofilia tem mais risco de desenvolver pré-eclâmpsia. FONTES: Wladimir Taborda, ginecologista e obstetra; Alberto Guimarães, ginecologista e obstetra; Venina Isabel Leme de Barros, ginecologista e Elbio Antônio D'Amico, especialista em hematologia
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