Mãe faz alerta após filho de 13 anos infartar: "A médica pensou que era uma crise de ansiedade"
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May 16, 2026
A desenvolvedora Débora Almeida, 35, de Timóteo, Minas Gerais, ficou preocupada quando o filho, Davy, 13, começou a se queixar de dor no peito e formigamento no braço esquerdo. Eles logo correram para o hospital, onde o garoto foi diagnosticado com uma crise de ansiedade. Mas, o adolescente insistia que não era ansiedade. Após novos exames, veio a descoberta: ele estava sofrendo um infarto. "Eu me assustei bastante. O médico falou que ele não tinha 24 horas de vida", diz, em entrevista à CRESCER. Davy sofreu um infarto aos 13 anos Arquivo pessoal Tudo começou em 11 de fevereiro. "O Davy me disse que estava sentindo uma pressão no coração e um formigamento no braço esquerdo", lembra Débora. Ela logo entrou em contato com a pediatra, mas ela só tinha horário disponível para consulta no dia seguinte, mas alertou que se os sintomas continuassem, era melhor levá-lo ao hospital. Mãe conta como foi a experiência de infartar e ficar inconsciente durante o parto: "Sensação de ser raptada" “Foi como meu filho tivesse sofrido dois infartos”, relembra mãe de menino que consumiu remédios acidentalmente Na manhã seguinte, em 12 de fevereiro, a dor de Davy havia piorado. "Ele chegou no meu quarto às 5h da manhã e falou: 'Mãe, eu estou sentindo muita dor, eu estou infartando'. Ele falava com muita convicção", diz. 'A médica inicialmente pensou que poderia ser uma crise de ansiedade' Então, Débora foi correndo para o hospital. "Eu expliquei o que estava acontecendo e a médica inicialmente pensou que poderia ser uma crise de ansiedade e deu uma medicação para ele. Mas o Davy falava com a médica muito firma: 'Doutora, eu não estou com crise de ansiedade'", recorda. Após insistirem por mais exames, a médica solicitou um raio-x. "O raio-x veio e constatou que estava tudo bem, que o pulmão dele estava ótimo. Mas, ele continuou falando: 'Doutora, eu vou morrer, eu estou sentindo muita dor'", conta a mãe. Ela insistiu que o filho realmente não estava bem e pediu por mais exames antes que eles fossem liberados. "Foi aí que a médica decidiu pedir um eletrocardiograma por desencargo de consciência", adiciona. Débora conta que, embora o filho estivesse dizendo que estava com dor, ele parecia bem. "Os sinais vitais dele não estavam alterados, só havia uma arritmia cardíaca, o que é bem parecido com uma ansiedade. Olhando superficialmente, não daria para saber se realmente ele estava infartando ou não", diz. Davy teve que ser transferido para outro hospital Arquivo pessoal Quando o resultado do eletrocardiograma voltou, os médicos perceberam que havia algo errado. "Eles pediram mais exames e um médico da UTI veio conversar comigo", lembro. Foi solicitado que Davy passasse por um exame de troponina, um teste de sangue que identifica lesões no coração, essencial para identificar infartos. "Veio a confirmação de que ele estava infartando. A partir daí, começou a correria de transferi-lo para outro hospital", recorda Débora. Mãe revela o que viu quando teve parada cardíaca após sofrer infarto raro "Um médico falou que ele não tinha 24 horas de vida. Isso me assustou " Quando foi confirmado que o filho estava sofrendo um infarto, Débora ficou muito preocupada. "Eu fiquei muito assustada. Um médico falou que ele não tinha 24 horas de vida. Isso me assustou bastante", diz. Ela foi informada que precisaria levá-lo para outro hospital por conta própria, pois a transferência iria demorar muito e ele não tinha tempo. Débora tentou ao máximo manter a calma durante o trajeto para não preocupar Davy. "Ao mesmo tempo que eu tinha que ser mãe, eu tinha que resolver o problema", afirma. O garoto, por outro lado, apesar de estar com dor, parecia tranquilo. "Ele estava reclamando, mas estava muito calmo, não estava desesperado. Eu acho também que ele queria passar essa tranquilidade para mim e para o pai dele, para nos tranquilizar", destaca. Davy recebeu medicamentos que pararam o infarto Arquivo pessoal Ao chegar no outro hospital, começou o tratamento com medicamentos, que controlaram o infarto. Ele precisou ficar em observação até que recebeu alta. No entanto, o tratamento estava longe de acabar, ele segue tomando remédios até hoje. Recentemente, ele fez um novo ecocardiograma, que não mostrou nenhuma alteração. "Ele foi liberado para fazer atividades físicas leves, mas ainda não pode voltar a fazer academia. Ele pegava peso, estava treinando para participar de um campeonato de power lift no final do ano. Ele ainda está restrito de algumas atividades", explica Débora. Davy segue em recuperação Arquivo pessoal 'É muito importante nós, como os pais, sermos a voz deles quando eles precisarem' Eles nunca descobriram o que causou o infarto. "Recebemos um diagnóstico de MINOCA, quando a pessoa infarta sem ter um motivo mesmo. O cardiologista pediatra diz que pode ter sido qualquer coisa, é algo que pode acontecer em qualquer momento, um estresse pode causar um infarto", afirma a mãe. Débora conta que não há histórico de infarto na sua família. "A gente precisa conhecer o nosso corpo, conhecer o que a gente tá sentindo, entender os sintomas que a gente precisa estar em alerta", reforça. Mãe saudável e ativa, 38, sofre dois infartos em intervalo de dois anos A mãe também destaca a importância de ouvir as crianças. "O que salvou meu filho foi eu tê-lo ouvido e ter corrido para entender o que estava acontecendo com ele. O que salvou meu filho não foi o protocolo, porque se fosse pelo protocolo, ele teria voltado para casa como uma crise de ansiedade. Se eu tivesse ido embora, talvez ele não estivesse aqui", diz. "É muito importante nós, como os pais, observarmos os nossos filho, ouvi-los, conhecê-los, para sermos a voz deles quando eles precisarem, porque é muito difícil um adulto parar para ouvir uma criança, um adolescente. Naquele momento, eu fui a extensão da voz do meu filho, porque eu sabia que ele estava falando era sério. Graças a Deus que eu fiz isso, hoje, meu filho está aqui comigo", finaliza. Débora e Davy Arquivo pessoal Crianças e pré-adolescentes podem sofrer infarto? Sim, podem o infarto pode acontecer em todas as idades, mas em crianças é muito raro. Estudos internacionais estimam algo em torno de 6 casos por 1 milhão de adolescentes por ano. "Quando pensamos em infarto, normalmente associamos ao adulto com colesterol alto, pressão alta e outros fatores de risco. Na infância, o mecanismo costuma ser diferente. Geralmente, está relacionado a doenças cardíacas congênitas, alterações das coronárias, doenças inflamatórias, algumas infecções ou condições genéticas específicas", explica Paulo Telles, pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria. "Também vale lembrar que crianças com histórico familiar importante de infarto precoce ou morte súbita merecem acompanhamento mais cuidadoso", acrescenta. Apesar de ser muito raro, ele faz um alerta que os casos tem crescido. "Infelizmente, mudança de hábitos nas crianças e adolescentes, que passaram a usar cigarros eletrônicos, aumento da obesidade e doenças metabólicas associados ao sedentarismo têm levado também ao aumento de infarto por causas semelhantes as do adulto em adolescentes", afirma. Quais são os principais sintomas? Segundo o especialista, as dores no peito costumam assustar os pais, mas em crianças dificilmente tem relação com o coração. "Felizmente, a maioria dos casos é benigna e relacionada a causas musculares, respiratórias ou ansiedade", diz. Mas, é preciso ficar atento a outros sintomas para compreender se a criança precisa de avaliação médica. Se a dor no peito for acompanhada de outros sinais de alerta, é preciso ir ao pronto-socorro imediatamente. Saiba quais são os principais sintomas de infarto em crianças: Dor no peito forte, principalmente durante esforço físico Falta de ar importante Suar frio Palidez Desmaio Palpitações Cansaço intenso Mal-estar importante Náuseas "A orientação é procurar atendimento médico imediatamente. Não é recomendado esperar os sintomas melhorarem sozinhos", alerta Elisabeth Fernandes, pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria. Paulo Telles concorda que é preciso agir rapidamente. "O mais importante é não minimizar os sintomas", destaca. "Nos casos menos urgentes, mas com sintomas recorrentes, avaliação com o pediatra é fundamental para investigar a causa corretamente e decidir se existe necessidade de avaliação cardiológica", acrescenta. Como o tratamento é feito? O tratamento depende muito da causa. "Pode incluir medicamentos para melhorar a circulação do coração, uso de anticoagulantes, procedimentos como cateterismo e, em alguns casos, cirurgia", diz Elisabeth Fernandes. Por isso o diagnóstico precoce faz tanta diferença. "Quanto mais rápido identificar o problema, maiores as chances de evitar complicações", adiciona Paulo Telles. É possível prevenir? "Na infância, a prevenção está muito ligada ao acompanhamento regular com o pediatra e ao diagnóstico precoce de doenças. Também é importante controlar fatores de risco, como colesterol elevado, especialmente em crianças com histórico familiar, obesidade e hipertensão arterial", afirma Elisabeth Fernandes. Hábitos saudáveis também são fundamentais. "Alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e evitar exposição ao cigarro e vape. Além disso, é importante acompanhar colesterol, pressão arterial e ganho de peso, especialmente em crianças com histórico familiar de doenças cardiovasculares", diz Paulo Telles. "Outro ponto essencial é não ignorar sintomas cardíacos e manter o acompanhamento pediátrico regular, porque muitas condições podem ser identificadas precocemente", finaliza o pediatra.
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