Veja por que 7 em cada 10 vítimas de violência sexual têm até 6 anos
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May 19, 2026
"Estou fazendo porque te amo". Essa é uma das frases comuns utilizadas por abusadores ao violentar uma criança, especialmente na primeira infância. Um levantamento, realizado pelo Hospital Pequeno Príncipe (PR), trouxe um dado alarmante sobre esse cenário: 7 em cada 10 vítimas de violência sexual tinham até 6 anos de idade. Abuso é mais frequente na faixa etária até 6 anos Foto ilustrativa/Freepik Já de forma geral, dos atendimentos de crianças e adolescentes vítimas de violência em 2025, 67% estavam nessa mesma faixa etária. Em relação ao abuso sexual, a criança mais nova que chegou à instituição tinha apenas seis meses de vida. Em outro caso, agora de abuso físico, um bebê de 10 dias foi internado com múltiplas lesões físicas. Mas por que esse grupo é tão vulnerável? Rosane Moura Brasil, assistente social do Hospital Pequeno Príncipe, explica que os pequenos, muitas vezes, não entendem que aquela situação é um abuso. Eles só entendem quando o abusador parte para formas mais agressivas. "Muitas vezes, o abusador inicia um jogo que a criança não tem maturidade para entender. Ela entende que é um ato de carinho e amor." Violência online: veja momento do dia em que adolescentes ficam 2x mais vulneráveis Metade dos adolescentes brasileiros já sofreu violência sexual online, aponta levantamento Outra estratégia do abusador é a culpabilização da vítima com frases como: "Foi você que veio atrás de mim". É muito confuso para as crianças, que só vão entender que passaram por uma situação de abuso na adolescência. Isso é muito difícil para elas porque, muitas vezes, o abusador está dentro de casa E os dados reforçam essa triste realidade. Em 2025, 70% das ocorrências atendidas pelo hospital (considerando crianças até 6 anos de vida) foram registradas como violência intrafamiliar. O que ainda é mais chocante é que, em 70 casos envolvendo a primeira infância, as marcas e lesões indicaram que a violência foi praticada mais de uma vez. Rosane ainda destaca que, em 80% dos casos, a criança é trazida à instituição pela mãe. Os casos mais frequentes O levantamento do Hospital Pequeno Príncipe revela que, de todos os tipos de agressão, a sexual segue sendo a mais recorrente. Abaixo, confira os principais dados da pesquisa: Em 2025, ela representou 64% dos atendimentos. Dos 425 casos, 305 vítimas (72%) desse tipo de violação tinham até 6 anos de idade. Segundo a assistente social, os casos de violência sexual são mais recorrentes contra meninas na faixa etária de 0 a 6 anos, sendo uma grande parte de abusos cometidos contra crianças de até 3 anos. "O suspeito é alguém da casa da criança — pai, padrasto, tio e primo. Os abusadores costumam passar a mão, beijar a boca... Eles não deixam marcas e lesões, mas deixam uma marca emocional muito grande", destaca a especialista. "O corpo fala" Rosane comenta que o abuso físico e sexual pode ser identificado por meio de exames como urina e raio-x — esse último para avaliar fraturas antigas ou algum tipo de hemorragia intracraniana. Outros sinais que os assistentes prestam atenção são: Lesão na pele ou bucal Unhas e cabelos arrancados Outro sinal aparente é a mudança de comportamento. A criança pode ficar agressiva ou arredia. Há situações em que os pequenos não deixam nem trocar a fralda. Para acolher a criança que foi abusada, o hospital tem uma conduta mais lúdica. Não há perguntas como: "o que aconteceu". "Nós trazemos brinquedos. E assim, por meio de uma abordagem lúdica, essa criança vai ter um espaço de fala para contar o que está acontecendo, principalmente o que para a gente é o mais importante: 'como ela está se sentindo'. No caso de bebês que ainda não sabem falar, a conduta é mais voltada a oferecer segurança. "Pegamos essa criança no colo, olhamos no olhinho dela", diz Rosane. Como identificar o abuso A assistente social dá algumas dicas para que as pessoas do círculo próximo da criança identifiquem os abusos: Fique atento ao que a criança fala. Perceba mudanças de comportamento como: uma criança muito sociável que agora está mais retraída ou se ela era calma e fica mais agressiva. Observe se a criança não quer mais ir à casa de uma pessoa que antes ela ia. Identifique se há baixo rendimento escolar. Verifique se há lesões no corpo da criança. Veja se ela está com dificuldade de controlar o xixi e cocô
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