Esperma deste animal é 40 vezes maior que o humano, descobre estudo
Galileu [Unofficial]
June 22, 2026
Um espermatozoide humano tem cerca de 60 micrômetros – ou 0,06 milímetro – de tamanho, o que impede que ele seja visto a olho nu. Porém, essa característica não é regra para todas as espécies: pesquisadores descobriram um esperma 40 vezes maior que o humano. Quem pensou que o detentor do espermatozoide gigante seria um animal grande, como uma baleia azul, errou: o dono do recorde é a Drosophila melanogaster, espécie conhecida mosca-da-fruta. Publicado hoje na revista científica Nature Physics, um estudo descreve características de espermatozoides encontrados em moscas-da-fruta. Entre elas, está a informação de que seus gametas masculinos têm medem cerca 2 milímetros de comprimento, o que é o tamanho aproximado de uma semente de gergelim. Mais do que isso, observou-se que os insetos conseguem armazenar grandes quantidades de esperma no pequeno espaço de seus corpos através de uma compactação eficiente, adaptação que aumenta a chance de sucesso na reprodução e de sobrevivência da espécie. A mosca-da-fruta é um inseto comum, e responsável por trazer grandes prejuízos agrícolas, sendo considerada uma praga em fruticulturas Alexis/Wikimedia Commons Emaranhado de espermatozoides Assim como nos humanos, as células reprodutivas da mosca-da-fruta são armazenadas em órgãos reprodutivos específicos. A vesícula seminal é um deles e tem o papel de armazenar os espermatozoides antes do acasalamento. O problema é que, no caso das moscas, ela tem apenas 200 micrômetros – ou 0,2 milímetro – de tamanho. É como se enfiássemos alguns fones de ouvido no bolso: eles vão começar a se emaranhar em pouco tempo. “Agora imagine colocar milhares [de fones de ouvido] no seu bolso. Os espermatozoides são, obviamente, diferentes de fios passivos: os espermatozoides são ativos, gerando ondas de flexão ao longo de sua longa cauda. Então, como milhares de espermatozoides ativos se organizam e se movem dentro dos limites restritos do sistema reprodutivo?”, diz Jasmin Imran Alsous, um dos autores do estudo, em entrevista ao site Popular Science. Imagens microscópicas de espermatozóides de Drosophila melanogaster, evidenciando que boa parte da célula é formada pela cauda Michael J. Shelley/Nature Physics Os pesquisadores fizeram experimentos inserindo colorantes fluorescentes nas cabeças e caudas dos espermatozoides gigantes para verificar como eles se organizavam dentro de um espaço tão minúsculo. Eles notaram que as células estão muito bem compactadas, mas ao invés de estarem imóveis, elas realizam movimentos alinhados e coletivos, o que diminui as chances de se enroscarem e mantém o conjunto de células reprodutivas mais firme. Leia mais notícias: Seleção natural nos minúsculos detalhes “Nosso trabalho sugere que os espermatozoides podem se mover de uma maneira muito diferente da imagem clássica de um espermatozoide solitário nadando em um fluido. Individualmente, os espermatozoides da mosca-das-frutas exibem muito pouco movimento direcionado, mas juntos eles podem se mover por meio de interações com seus vizinhos”, afirma Alsous. Casos de compactação de sistemas biológicos como o da mosca-da-fruta podem ser observados até mesmo em humanos, como a compactação do DNA dentro de células e da combinação dos intestinos grosso e delgado. Todas essas adaptações, seja um código genético empacotado ou um esperma gigante, são vantagens evolutivas adquiridas que aumentam a chance de sobrevivência dessas espécies. A moral da história é que, como diz o ditado, "tamanho não é documento". Quando o assunto é a seleção de vantagens evolutivas, quem costuma ser premiado é quem cumpre seu propósito da maneira mais eficiente.
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