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Cientistas descobrem mistério ligado ao câncer do cérebro

Home | Época Negócios [Unofficial] May 28, 2026
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Médicos que tratam câncer cerebral há décadas observam que certos tipos de tumor aparecem quase sempre no mesmo lugar. O glioblastoma, por exemplo, é um dos tipos de câncer no cérebro mais agressivos, e costuma se concentrar principalmente nos hemisférios cerebrais; já o meduloblastoma, outra variante da doença, tende a surgir no cerebelo de crianças. Mas como mutações genéticas acontecem em células do cérebro inteiro, especialistas nunca entenderam o motivo dessa seletividade. Uma equipe do Peter MacCallum Cancer Centre, na Austrália, publicou uma pesquisa na revista científica PNAS que avança na busca por resolver esse mistério. De acordo com o ScienceAlert, o modelo usado foi a mosca-da-fruta (Drosophila melanogaster), cujo sistema nervoso central segue regras de desenvolvimento parecidas com as do cérebro humano. Os pesquisadores editaram os genes das moscas para desestabilizar proteínas que mantêm a identidade das células cerebrais. Com isso, neurônios maduros reverteram a um estado semelhante ao de células-tronco e passaram a se dividir sem controle — o mecanismo padrão para induzir crescimento tumoral em experimentos com moscas. O resultado esperado eram massas de células anormais espalhadas por todo o sistema nervoso central. E foi o que aconteceu, mas só em parte. As células anormais apareceram em toda a extensão do sistema nervoso, mas os tumores persistiram apenas em determinadas regiões: o cérebro central e o cordão nervoso ventral. Em outras partes do órgão, como os lóbulos ópticos, nada cresceu. A diferença entre as regiões levou os pesquisadores a uma proteína chamada Chinmo, já conhecida por influenciar o desenvolvimento de células-tronco. Nas regiões onde os tumores se instalaram, as células anormais continham Chinmo; nos lóbulos ópticos, onde nenhum tumor se desenvolveu, a proteína estava ausente. Para confirmar a relação, a equipe fez dois experimentos. No primeiro, quando reduziram os níveis de Chinmo nas regiões propensas ao tumor, o crescimento parou. No segundo, em que introduziram Chinmo nos lóbulos ópticos, onde normalmente não há tumores, células anormais começaram a proliferar. "Descobrimos que podíamos mudar o destino de células com exatamente a mesma mutação simplesmente ativando ou desativando o Chinmo", disse a oncologista Louise Cheng, que liderou o estudo. "Nossos resultados mostram que a formação de tumores não depende só da mutação em si, mas também do ambiente e do estado de desenvolvimento das células no local onde a mutação ocorre." Humanos não têm Chinmo, então a transposição direta dos resultados não é possível. Mas a pesquisa aponta que podem existir proteínas equivalentes no cérebro humano, com função análoga de regular a suscetibilidade ao câncer em diferentes regiões. "Se conseguirmos identificar as condições que permitem que células mutadas se tornem tumores, poderemos atacar essas condições terapeuticamente e deter o câncer antes que ele se desenvolva", afirmou Cheng. *Com supervisão de Rennan Julio Mais Lidas

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