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Saiba o que são as síndromes insulares e por que elas intrigam os cientistas

Galileu [Unofficial] June 12, 2026
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Um novo estudo, publicado no Evolutionary Journal of the Linnean Society em 28 de maio, revelou como que diferentes subespécies de carriças insulares têm evoluído de forma independente. A descoberta partiu de uma exploração sobre os processos que originam as “síndromes insulares”, ou seja, o conjunto de características evolutivas que as espécies desenvolvem devido às pressões ecológicas específicas das ilhas em que passam a viver. Os pesquisadores examinaram quatro subespécies da ave e encontraram evidências de que o chamado “gigantismo insular” ocorre em duas populações. Trata-se de um fenômeno biológico no qual o tamanho de uma espécie animal insular aumenta em comparação com a de seus parentes continentais, a exemplo das tartarugas-gigantes-de-galápagos (Chelonoidis nigra), estudadas por Charles Darwin no século 19. Além do gigantismo, outros fenômenos evolutivos identificáveis são: maior longevidade, menor taxa de reprodução e, especificamente em aves, uma tendência à menor capacidade de voo. Essas mudanças já foram detectadas em diversos tipos de animais e de plantas encontrados em diferentes ilhas da Terra. Mesmo que tenham sido documentadas pela ciência, a explicação para as síndromes insulares ainda permanece um mistério. Isso porque os pesquisadores não sabem ao certo como as mudanças no tamanho corporal – ou quaisquer outras mudanças – representam adaptações às condições específicas de cada ilha. Como explicar o “gigantismo insular”? As quatro subespécies de carriças-das-ilhas tomadas como objeto de estudo da pesquisa são de um arquipélago da Escócia formado pelas ilhas de Shetland, Fair Isle, Outer Hebrides e St Kilda. Cada uma dessas subespécies se encontra geograficamente isolada, mas ainda assim expostas a ambientes semelhantes. Elas também diferem “geneticamente das carriças da Grã-Bretanha continental; sendo as carriças de Shetland e de St. Kilda as mais distintas tanto na aparência quanto no canto. Sua distinção genética é tão alta que é provável que estejam a caminho de se tornarem novas espécies”, explicou Michał Jezierski, da Universidade de Birmingham, em comunicado. Amostragem e síndromes insulares nos carriças das Ilhas Britânicas Evolutionary Journal of the Linnean Society As subespécies de carriças das ilhas de Shetland e de St Kilda foram as que desenvolveram um gigantismo insular. O impressionante é que não foi um crescimento considerado “leve”, a nível de comparação: uma carriça inglesa tem uma massa média de 7 a 10 gramas, já as carriças de St Kilda chegam à marca de 13 a 16 gramas. Embora a subespécie encontrada em Shetland também tenha passado pelo fenômeno de gigantismo insular – e tenha material genético igualmente diferente do das aves encontradas na Grã-Bretanha –, os cientistas descobriram que ela apresenta grande independência genética das carriças de St Kilda. Sendo esse um dos fatores que torna essa síndrome ainda mais complexa de ser compreendida. As aves de Fair Isle e Outer Hebrides, por outro lado, possuem semelhanças genéticas com a subespécie continental. Para Jezierski, os dois casos são exemplos de como a evolução insular ocorre de maneiras distintas, ainda que dentro de uma mesma região geográfica. “Isso significa que o gigantismo insular é um caso de ‘evolução paralela’, onde uma população original semelhante chegou a cada arquipélago e, em seguida, evoluiu independentemente. Nesse processo, seus cantos também se tornaram muito diferentes”, bem como a sua plumagem e proporções corporais.

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