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Preservação de florestas e aves beneficia plantações de café, diz estudo

Galileu [Unofficial] June 11, 2026
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Uma nova pesquisa, publicada no periódico Journal of Applied Ecology em 21 de maio, examinou como a composição da paisagem e a estrutura vegetal influenciam o cultivo de café nos Andes colombianos. O estudo revelou que a cobertura florestal em um raio de 2 km já é benéfica para a região, promovendo o desenvolvimento sustentável de diferentes espécies de animais, sobretudo de aves. A presença e a qualidade do habitat florestal circundante de áreas de cultivos agrícolas desempenham um papel mais importante do que os ambientalistas acreditavam exercer anteriormente. Além de ser uma surpresa para os pesquisadores, os resultados revelaram uma potencial estratégia para manter os níveis de biodiversidade nas paisagens cafeeiras. Resultados da pesquisa As plantações localizadas nos Andes colombianos são famosas por darem origem a um café suave e com diferentes notas aromáticas, como frutas cítricas e caramelo. Sua volumosa produção e a sua localização geográfica em um território tropical chamaram a atenção para que a pesquisa tomasse forma. Mas, qual é a relação entre florestas, árvores altas com copas densas, e plantações cafeeiras? Acontece que, mesmo que hoje tanto os seres humanos quanto as máquinas exerçam diversas funções nas áreas de cultivo, os métodos tradicionais como a dispersão natural das sementes pelos animais ainda é um método eficaz. Para isso ocorrer, no entanto, é preciso de um detalhe “básico”: que existam animais que possam cumprir esse papel de polinizadores, como as abelhas e as aves. Área de estudo e delineamento do levantamento na região cafeeira do Departamento de Cundinamarca, região central da Colômbia Journal of Applied Ecology Mais do que uma moradia para as aves, as plantações florestais também compõem o ambiente. Nessa brincadeira de ser “design de interiores”, as árvores projetam grandes sombras que, por sua vez, contribuem na manutenção da biodiversidade, já que protegem diferentes animais do contato direto com a luz solar. Não à toa, algumas espécies mostraram ser dependentes de ao menos 32% de cobertura na paisagem que os circundam para atingir os níveis médios de ocupação populacional da espécie. Já espécies generalistas – isto é, adaptáveis ao ambiente –, são mais flexíveis, mantendo uma média tanto em fragmentos florestais quanto em cafezais cultivados à sombra com, pelo menos, 10 espécies arbóreas e 45% de cobertura. Respostas previstas de três grupos de aves em relação à porcentagem de cobertura florestal (raio de 2 km) e a interação com a complexidade da vegetação do habitat local em habitats florestais e de café Journal of Applied Ecology Em seguida, os cientistas avaliaram como diferentes grupos de aves respondiam à diferentes espécies de café. Cultivos do fruto mais sombreados, densos e diversificados favoreceram as espécies generalistas, frugívoras, insetívoras e nectarívoras. Por outro lado, a monocultura intensiva de café a pleno sol, caracterizada por possuir pouca ou nenhuma sombra, favoreceu os animais granívoros e onívoros. O desmatamento não é o único fator que pode prejudicar tanto as aves quanto as plantações cafeeiras. Durante os estudos, surgiram mudanças sazonais, entre elas o pico do período reprodutivo na região, que exige que o uso de habitat passe por mudanças entre os seus “moradores” no decorrer dos meses de dezembro e janeiro. Conservar tanto a cobertura vegetal quanto manejar o café de maneira sustentável estão entre as principais indicações dos especialistas para garantir o sucesso das práticas em escala agrícola. No caso dos Andes colombianos, especificamente, o aumento de árvores florestais melhoraria a adequação do habitat para quase todos os grupos de aves, fortalecendo tanto a biodiversidade quanto a sustentabilidade das paisagens cafeeiras.

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