Como este fungo resistente poderia contaminar Marte, segundo estudo
Galileu [Unofficial]
April 26, 2026
Marte pode estar a milhões de quilômetros da Terra, mas essa distância talvez não seja suficiente para impedir que formas de vida terrestres cheguem até lá — especialmente quando se trata de fungos extremamente resistentes. Em um novo estudo, pesquisadores de universidades dos Estados Unidos e da Alemanha sugerem que alguns fungos possuem esporos — estruturas reprodutivas minúsculas que dão origem a novos indivíduos — que são capazes de sobreviver a todas as etapas de uma missão a Marte, incluindo momentos desde a montagem de espaçonaves até as condições ambientais do espaço e do planeta vermelho. Na pesquisa, publicada no dia 20 de abril na revista Applied and Environmental Microbiology, foram analisados microrganismos presentes em salas limpas da NASA, locais extremamente controlados e esterilizados onde as espaçonaves passam por montagem, testes e são estudadas, que servem como garantia de que agentes biológicos terrestres não contaminem o espaço ou outros planetas. Segundo os autores, mesmo nesses ambientes, algumas espécies de fungos possuem uma alta resistência, conseguindo sobreviver até mesmo após procedimentos rigorosos de descontaminação. Um fungo extremamente resistente Para o estudo, os pesquisadores isolaram esporos de 27 tipos de fungos e, também, outros dois organismos — um fungo e uma bactéria — já encontrados em espaçonaves e conhecidos por sua capacidade de resistência a altos níveis de radiação. Essas amostras foram submetidas a condições extremas que simulam os ambientes que elas enfrentariam ao participar de viagens espaciais e em Marte. De todos os organismos testados, o fungo Aspergillus calidoustus foi o que se mostrou mais resistente. Seus esporos sobreviveram a condições que incluíam radiação intensa, como a ultravioleta e ionizante, variações de temperatura e baixa pressão atmosférica. Como destaca a revista Discover, eles também resistiram quando foram expostos ao regolito marciano (camada de poeira e rochas soltas que cobre a superfície de Marte) e à radiação marciana por quase 1.500 minutos. Além disso, a exposição prolongada à radiação de nêutrons e às técnicas de desinfecção de espaçonaves também não foram letais para o fungo. Somente a combinação de temperaturas extremamente baixas e alta radiação foi capaz de matar os esporos do A. calidoustus. “Isso não significa que a contaminação de Marte seja provável, mas nos ajuda a quantificar melhor os riscos potenciais de sobrevivência microbiana”, disse Kasthuri Venkateswaran, principal autor do estudo, microbiologista e ex-cientista sênior do Grupo de Biotecnologia e Proteção Planetária do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, em comunicado. “Os microrganismos podem possuir uma resiliência extraordinária a estresses ambientais.” Embora a probabilidade de contaminação de Marte seja considerada baixa, os resultados indicam que o A. calidoustus representa um desafio real para a chamada proteção planetária, um conjunto de medidas que busca evitar a contaminação cruzada entre a Terra e outros corpos celestes durante missões espaciais. Segundo os pesquisadores, os dados sugerem que o fungo pode não apenas sobreviver à viagem espacial, mas também potencialmente se espalhar em outros planetas. Eles destacam ainda que esporos de fungos costumam ser menos considerados do que os bacterianos nos processos de descontaminação. “Essas investigações ajudam a aprimorar as estratégias de proteção planetária da NASA e as abordagens de avaliação de risco microbiano para missões de exploração espacial atuais e futuras”, afirmou Venkateswaran.
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