Sucesso ao misturar pop com fado, cantora luso-brasileira Bárbara Bandeira agita o Rock in Rio Lisboa
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June 21, 2026
Na noite de sábado, poucas horas depois de o DJ brasileiro Pedro Sampaio ter sacudido multidões no Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa (nos camarins, ele recebeu, inclusive, da gravadora Sony, um disco de platina tripla pelo sucesso de “Jetski”, uma das músicas último do verão brasileiro), o público português encontrou animação para reverenciar uma das mais recentes revelações do pop local: a cantora Bárbara Bandeira. O amor e a Copa: Esposa de Marquinhos revela que ignorou investidas do jogador por meses: 'Me caçando de todo jeito' Impressionante: Katy Perry 'surfa' sobre multidão dentro de garrafa gigante em estreia de nova turnê na Espanha; vídeo Atração do palco Super Bock, a estrela pop de 24 anos atraiu um grande público ao apresentar sucessos de uma carreira que já dura uma década, e que, em 2026, chegou ao seu momento de maior amadurecimento com o lançamento do segundo EP, o “ato II”, da série Lusa. O destaque óbvio do disco é a canção “Rapariga”, um dueto póstumo com o nome maior do fado: a cantora Amália Rodrigues (1920-1999). Com quase 1 milhão de seguidores no Instagram e mais de 650 mil ouvintes mensais no Spotify (além de ter sido a primeira artista feminina a conquistar um single de Diamante no país), Bárbara diz ao GLOBO que não foi fácil chegar a Amália, essa verdadeira instituição nacional (este foi, por sinal, o primeiro lançamento oficial da cantora desde sua morte). — A ideia partiu de mim e, como quase todas as que tenho, parecem sempre muito loucas. Mas gosto de arriscar, e foi isso que eu fiz. Houve todo um processo, tive que contatar todas as pessoas de direito da Amália e, só após ouvirem o resto do EP, é que elas deram o sim. Isso me deixou muito feliz, é um reconhecimento de “ok, a gente consegue ver a Amália Rodrigues aqui” — acredita ela. — Acho que é importante cada vez mais a gente valorizar a nossa música portuguesa e trazer ela para a modernidade. Porque quando a gente acaba por lembrar sempre só o passado, o passado, o passado, ele acaba ficando meio esquecido. Acho que tem algo na tradição que pode ser trazido para esse mundo mais pop. A ligação de Bárbara com o fado não vem de hoje: esse foi o estilo que a revelou como cantora mirim, aos 8 anos de idade. Em 2021, ela gravou com a fadista pop Carminho “Onde vais”, música que se tornaria um de seus maiores sucessos. — Ainda que eu não seja fadista, o que não sou, sou uma cantora pop, dá para entender as referências de fado em diferentes músicas minhas — considera. — É preciso ser fadista para seguir esse caminho do fado. Eu acabei por não seguir o caminho da casa de fado, o caminho que é habitual para uma fadista, e acabei me apaixonando também por outros artistas, como a Whitney Houston e o Justin Bieber. Então, acho que a minha carreira foi mais para onde tinha que ir, que é o pop. Eu faço pop porque pop é tudo. Pop dá liberdade para gente fazer aquilo que a gente quiser, graças a Deus. Filha de mãe brasileira, nascida em Fortaleza, Bárbara Bandeira contou, no “ato I” de Lusa, lançado em 2025, com participações dos rappers brasileiros Veigh (em “Fumaça”) e WIU (em “Zona Sul”). — Está no meu sangue, sou luso-brasileira. Mas sinto que, por ter crescido cá, preciso me aproximar mais da cultura brasileira. Assim que eu tive alguma independência financeira, comecei a priorizar essas minhas viagens para o Brasil, para estar mais em contato com artistas e produtores e com a minha própria identidade brasileira. A ideia, Bárbara diz, é lançar mais dois atos de Lusa, um em 2027, outro em 2028. E um deles seria totalmente brasileiro. — Entre as minhas maiores inspirações no Brasil estão a Alcione e o Caetano Veloso, e gosto muito da Liniker também. Tenho aqui várias colaborações que eu não posso ainda revelar quem são, mas que são com artistas que eu cresci ouvindo. Para mim é um privilégio hoje poder cantar com eles e eles me receberem de portas abertas — diz ela, que, no entanto, ainda não fez shows no Brasil. — Quero que seja uma coisa sólida, o que não falta é artistas que vão para o Brasil fazer um show ou outro e depois nunca mais pensam nisso, nem nunca mais voltam, nem fazem música para o Brasil. Tenho esse dever enquanto luso-brasileira, e, para me comunicar com o público brasileiro, eu tenho que estar lá, tenho que conhecer o povo, tenho que entender a cultura. Não faz sentido começar a casa pelo telhado. “Como tu”, de 2023, com feat do cantor luso-angolano, é o ainda hoje maior sucesso de Bárbara Bandeira — e a que teve mais ouvintes no Brasil: — Essa foi uma música que, inclusive, a Virgínia (Fonseca) compartilhou, vários influencers no Brasil curtiram. Acho que é porque ela tem uma pegada assim um pouco mais solta, mais afro, e acabou funcionando melhor. A tentação do pop global é grande, mas a cantora resiste: — Não estou muito aberta a cantar em outras línguas, gostaria muito primeiro de fazer algo que é muito difícil, que é levar a música portuguesa, com o português de Portugal, para outros lugares. Acho que a música brasileira, graças a Deus, tem conseguido isso também, com artistas como como a Anitta. O português de Portugal funcionar no Brasil é algo que é muito raro, portanto, esse é o meu foco neste momento, e não tentar forçar um sotaque.
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