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Viúva, Maria retoma tradição do marido e pinta calçada para a Copa

Campo Grande News - Conteúdo de Verdade [Unofficial] May 22, 2026
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Brasileira com orgulho e muito amor. É assim que Dona Maria, ou Maria Aparecida Ferreira, de 68 anos, se descreve. Há alguns dias, a calçada virou reflexo do que a moradora é: alegre, festiva e bem-humorada. Após 2 anos de chão cinza, ela resolveu colorir tudo para esperar pela Copa do Mundo.  Dona Maria foi a artista que pintou tudo, cada linha feita no olhômetro e cada forma geométrica desenhada com carinho. A calçada é uma homenagem ao falecido marido, que sempre gostou de celebrar a vida e o Brasil em campo nos jogos. Há 14 anos, Pedro João Gomes partiu. A última Copa que viu foi a de 2010. Na época, ele pintou a calçada com a esposa. Depois, a tradição ficou com Maria. Ela explica que, nos últimos anos, desanimou e deixou as cores morrerem na frente da casa. Este ano, a coisa mudou. “Desde que meu finado marido era vivo, a gente faz a bandeira brasileira. Resolvi fazer porque o Brasil vai jogar. Tava bem feia a calçada. Foi difícil ficar sem pintar. Sinto muita falta dele. Era ele que tocava tudo, animava. No final do ano, a gente fazia festa. Dei uma mão de tinta, aí fui comprar mais tinta para acabar. Fiz na mão mesmo, no olho. Meu filho que vai escrever para mim”. Maria não fala que não sabe mexer com as letras, mas a verdade é que não sabe ler. Ela conta que, ao todo, levou 2 dias para terminar o desenho e que o resultado agradou muito. “Eu acho bonito. O pessoal passa tirando sarro, diz que o Brasil vai perder, e para mim isso não interessa. Mesmo que perca, eu sou brasileira, a gente tem que honrar esse país. A cor não ficou igual, mas vai ficar assim agora”, ri. Maria mora no bairro Vila Margarida há mais de 38 anos. A casa é a mesma em que morava com o marido e os dois filhos. Agora, ela passa os dias cuidando das coisas por lá e das netas nos finais de semana. “Eu toda vida trabalhei de doméstica, e ele nas fazendas. Ele morreu de infarto. Passou mal e fomos para o hospital, a médica mandou embora para morrer em casa. Ele esperou eu chegar do serviço e partiu”. Falando em Pedro, Maria relembra que participou do casamento histórico do Morenão, em 1999. “Foi um casamento coletivo. Mas a gente já estava junto, só casou lá. Ele quis arrumar tudo. Até pediu pra eu ir no salão, eu nem gostava. No dia, fiquei tão nervosa que passei mal. Tinha muita gente lá. Só tenho essa foto do casamento, foi muito bom. Foi rápido, só assinar e pronto”.

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