Ana Frango Elétrico: "Não quero fama. Quero fazer meu trabalho e gravar discos"
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June 1, 2026
Aos 16 anos, Ana Frango Elétrico já compunha suas próprias canções e subia ao palco apenas com voz e violão. Quatro anos depois, apresentou ao público o álbum independente Mormaço Queima, trabalho experimental que reunia música, estética visual e pinturas assinadas pela própria artista. Desde então, a carioca de 28 anos construiu um caminho singular na música brasileira, saindo dos pequenos palcos da cena alternativa para alcançar festivais, turnês internacionais e uma audiência cada vez maior, sem abrir mão da liberdade criativa que marca sua obra. Mesmo com o reconhecimento crescente (o terceiro álbum Me Chama de Gato Que Eu Sou Sua foi super elogiado pela crítica) Ana evita enxergar a carreira a partir de números ou da ideia de sucesso tradicional. “Não gosto de fama, não quero fama. Quero fazer meu trabalho, quero gravar discos”, resume. Para ela, a expansão do público aconteceu de forma orgânica, resultado de anos de aprendizado, experimentação e de uma relação construída aos poucos com quem acompanha sua música. Em entrevista durante o Coala Festival Portugal, a cantora falou sobre a força da música brasileira no exterior, a pressão da indústria, a influência das redes sociais, a ligação entre som e artes visuais e os novos projetos que prepara. Também adiantou que uma fase inédita está a caminho! A música brasileira vive um momento de grande projeção internacional. Como você observa esse cenário? Eu vejo como um caminho natural. Tem muita competência, emoção e envolvimento no que está sendo produzido. Acho que existe muita vontade de fazer acontecer. A gente está com muito sangue nos olhos pra fazer acontecer e o mundo está percebendo isso. Eu me inspiro muito nos artistas brasileiros que vieram antes de mim, mas também nos meus contemporâneos. Tem muita coisa interessante acontecendo. Você saiu de uma cena mais alternativa para alcançar um público cada vez maior. Como lida com esse crescimento? Eu não me vejo dessa forma. A pressão existe, principalmente por conta da indústria. Aprendi a dizer muitos 'nãos' ao longo da carreira. Não gosto de fama, não quero fama. Quero fazer meu trabalho e gravar discos. O que vejo é um crescimento orgânico. Não começou agora. Venho batalhando, aprendendo e conquistando espaço há muitos anos. Cada show é um novo aprendizado com muitas metas de melhorias também dentro de mim e do meu trabalho. Você já comentou que as redes sociais podem ser um desafio para os artistas. Como é sua relação com elas hoje? As redes sociais são uma grande distração para todo mundo. Como artista, sinto que preciso lutar para continuar conectada com a minha arte e com aquilo que quero criar, sem medo e sem ficar presa às pressões da indústria ou às opiniões externas. Ana Frango Elétrico Divulgação Neste domingo (31), você se apresentou no Coala Festival. Portugal se tornou um dos seus públicos mais fiéis fora do Brasil? Com certeza. É um dos meus públicos mais fortes, inclusive, depois de algumas cidade do Brasil. Existe uma afinidade muito grande. Acho que a língua tem um papel importante nisso. Mesmo quando surgem diferenças culturais, existe uma compreensão através da poesia, da palavra e da música. Qual a importância de festivais como o Coala para aproximar Brasil e Portugal? Acho que a importância está justamente na língua e na poesia. É um idioma f*da com músicas tão versáteis e brilhantemente feitas ao redor do mundo. Festivais assim celebram essa conexão. Às vezes olhamos para nossos países como se fossem mundos separados, mas existe muita coisa que nos une. A música ajuda a lembrar disso. Sua trajetória também passa pelas artes visuais. De que forma a pintura continua presente no seu trabalho? Eu sou uma pessoa que estuda estética. Gosto de pensar a música e a imagem juntas. Em muitos momentos, meu trabalho nasce desse diálogo. O Me Chama de Gato Que Eu Sou Sua, por exemplo, é um disco muito ligado à construção de uma identidade visual e sonora. A pintura continua influenciando a forma como penso arte. Ana Frango Elétrico Divulgação Você prepara novidades para os próximos meses? Sim. Tem um trabalho novo chegando em breve. Ainda não posso falar muito, mas nasceu de um convite muito especial. Estou num momento em que quero gravar e lançar muitas coisas. Aprendi fazendo e continuo aprendendo fazendo. O que pode adiantar sobre essa nova fase? É um trabalho bem diferente. Eu não gosto de me repetir. Talvez algumas pessoas até estranhem. O disco anterior era muito ligado à experimentação estética. Agora sinto que estou voltando para um lugar mais conectado à compositora, à letrista. É uma fase diferente. Como você enxerga o futuro da música brasileira? Com muita esperança. Meu trabalho veio do underground, dos shows para poucas pessoas. Hoje vejo artistas incríveis surgindo por todo o país. Ainda existe muito espaço para abrir. Tem muita gente talentosa que merece chegar aos grandes festivais e a novos públicos. O que desejo é que a gente continue valorizando a diversidade da música brasileira e não fique preso apenas ao que está em evidência nas redes sociais. Há uma produção muito rica acontecendo em todos os gêneros. Revistas Newsletter
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