Após tratamento, pacientes com hepatite C terão cura monitorada
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May 20, 2026
A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) tornou obrigatório o acompanhamento da cura de pacientes em tratamento contra hepatite C nas redes públicas e privadas de Campo Grande. A medida consta em resolução publicada nesta quarta-feira (20) e assinada pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela. Essa norma determina que os serviços de saúde acompanhem o paciente mesmo após o fim do tratamento. A comprovação da cura deverá ser feita por meio do exame HCV-RNA, conhecido como carga viral para hepatite C, realizado 12 semanas depois da conclusão da terapia. Segundo a resolução, o objetivo é monitorar e alcançar a meta prevista no Plano Municipal de Saúde 2026-2029, que estabelece a cura de, no mínimo, 90% dos casos de hepatite C diagnosticados após o tratamento. O texto estabelece que “a obrigatoriedade do acompanhamento sistemático dos pacientes em tratamento para Hepatite C pelos serviços de saúde da rede pública e privada do Município”. A finalidade, conforme a publicação, é o “monitoramento e o alcance da meta anualizada” prevista no plano municipal. A resolução também define como a cura deverá ser confirmada. “Para fins de comprovação da cura da Hepatite C, deverá ser realizado o exame HCV-RNA (Carga Viral para Hepatite C), após 12 semanas do término do tratamento, para verificação da RVS (Resposta Virológica Sustentada)”, diz o texto. A RVS é o indicador usado para verificar se o vírus continua indetectável após o tratamento. Em linguagem simples, é o exame que confirma se o tratamento funcionou. Sem isso, a rede até pode tratar, mas não consegue medir com precisão quantos pacientes realmente chegaram à cura. Norma também obriga hospitais, clínicas, consultórios e demais serviços de saúde a manterem registro dos exames realizados, atualizarem os prontuários dos pacientes, alimentarem os sistemas oficiais de informação em saúde e acompanharem a evolução clínica durante e depois do tratamento. Pelo texto, caberá às coordenações e equipes responsáveis pelas hepatites virais monitorar os indicadores de diagnóstico, tratamento e cura, além de acompanhar o cumprimento da meta municipal e orientar os serviços de saúde. A publicação cita como base o protocolo nacional de tratamento da hepatite C, aprovado pelo Ministério da Saúde, e o plano brasileiro que prevê eliminar a hepatite C como problema de saúde pública até 2030. A medida desta quarta-feira vem dois dias depois de outra resolução da Sesau, publicada na segunda-feira (18), que tornou obrigatória a notificação dos casos de hepatite B e C em Campo Grande. A diferença é que a primeira norma trata do registro dos casos diagnosticados. A nova resolução mira outra etapa: saber se o paciente tratado contra hepatite C foi curado. Em resumo, a resolução anterior manda avisar oficialmente que o caso existe. A de agora manda conferir se o tratamento deu certo. Os dados ajudam a explicar o reforço no controle. Em 2025, aproximadamente um em cada cinco testes rápidos para hepatite A, B e C feitos em Campo Grande deu resultado positivo. Entre janeiro e maio daquele ano, foram realizados 1.276 testes, com 237 confirmações, o equivalente a 18,57% de positividade, conforme levantamento da Sesau. Do total de casos positivos registrados até maio de 2025, 190 foram de hepatite A, 29 de hepatite B e 18 de hepatite C. A média era de cerca de dois diagnósticos positivos por dia. No mesmo período de 2024, haviam sido confirmadas 271 infecções. A hepatite é considerada uma doença silenciosa, principalmente nos tipos B e C, que muitas vezes não apresentam sintomas. A transmissão pode ocorrer pelo contato com sangue contaminado, compartilhamento de objetos como lâminas, escovas de dente, agulhas e alicates de unha, relações sexuais sem preservativo e, a depender do tipo da doença, pela ingestão de água ou alimentos contaminados. Campo Grande também apareceu com indicadores acima da média em levantamentos do Ministério da Saúde. Em 2024, a Capital teve taxa de 12,4 casos de hepatite C por 100 mil habitantes, ficando em 9º lugar entre as capitais. Na hepatite B, ocupou a 17ª posição, com 4,4 casos por 100 mil habitantes.
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