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Temperaturas na Antártida atingem pico de 20°C acima da média, afirmam cientistas

Um só Planeta [Unofficial] June 13, 2026
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A costa oeste da Antártida tem experimentado temperaturas alarmantemente altas neste mês de junho. Os termômetros chegaram a marcar mais de 15°C em uma estação meteorológica, ultrapassando os recordes anteriores, com temperaturas até 20ºC acima do normal para esta época do ano. As temperaturas atípicas estão gerando receios na comunidade científica, afirma reportagem do The Guardian. Em 6 de junho, o continente gelado atingiu um pico de 15,4°C, segundo o jornal britânico, e bateu o recorde anterior, estabelecido na mesma estação em 1998, em 2°C. Os dados foram registrados pela base argentina Esperanza, na península de Trinity. Raúl Cordero, professor de climatologia na Universidade de Groningen, nos Países Baixos, disse à reportagem que as condições atuais são “absolutamente insanas”. “Está cerca de 20°C acima do normal para esta época do ano. Isso é uma anomalia enorme”, afirmou. O novo recorde de calor acontece em meio a uma onda de calor prolongada, com temperaturas máximas diárias acima de 0ºC por três semanas consecutivas. A cobertura de gelo marinho na Antártida em 10 de junho mostra uma grande área a oeste com ausência de gelo (linha laranja), quando comparada com a extensão média do gelo entre 1981 e 2010 (em branco) National Snow and Ice Data Center, Universidade do Colorado. Nesta época do ano, o gelo marinho se expande rapidamente ao redor do continente, atingindo seu pico em setembro. Mas, atualmente, a costa oeste da Antártida está sem uma área de gelo marinho invernal de 650.000 quilômetros quadrados, o equivalente ao tamanho da França. O Dr. Will Hobbs, especialista em gelo marinho antártico da Universidade da Tasmânia, que trabalha em parceria com o Programa Antártico Australiano, afirmou ao jornal que a perda de gelo no Mar de Bellingshausen é "deprimente" e que a falha na formação de gelo pode ter intensificado a onda de calor na península continental na semana passada. Segundo Hobbs, esta foi a terceira vez em quatro anos que o gelo marinho atingiu níveis muito baixos na região. "Não acho que veremos mais gelo marinho por lá. Acabou", afirmou. Espécie de krill Wikimedia Commons/ Øystein Paulsen - MAR-ECO Para o especialista, a perda de gelo marinho provavelmente está ligada a mudanças no oceano e os cientistas estão tentando entender se o aquecimento global é um fator determinante nas condições. Entre as preocupações, estão os impactos nos pinguins ameaçados de extinção, outras espécies marinhas e o nível global do mar. A região também é importante para o krill, um pequeno crustáceo semelhante a um camarão, que forma a base do zooplâncton marinho e é parte crucial da cadeia alimentar para as espécies da região. O krill normalmente se esconde dos predadores sob o gelo no inverno, onde se alimenta de algas. Mais Lidas

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