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Redes de fungos possuem mais de 100 quatrilhões de km de extensão pelo planeta, revela estudo

Um só Planeta [Unofficial] June 12, 2026
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Um novo estudo, publicado nesta quinta-feira (11) na revista Science revelou que os solos do nosso planeta contêm 100 quatrilhões de quilômetros de redes de fungos subterrâneos, o equivalente à distância para ir da Terra ao Sol e voltar quase um bilhão de vezes. A pesquisa também entregou, pela primeira vez, um mapa global mostrando onde esses tipos de fungos têm maior probabilidade de serem encontrados. Os fungos micorrízicos são redes de células que sustentam a vida na Terra, formando parcerias essenciais com a maioria das plantas que conhecemos. Isso porque as plantas absorvem água e nutrientes do solo, mas muitas contam com ajuda nesse processo. Tudo começa quando as raízes das plantas liberam substâncias químicas para atrair fungos e acolhê-los. Depois de estabelecidos ali, está selada uma relação simbiótica em que os vegetais recebem nutrientes e dão em troca carbono. "Depois de receber carbono de uma planta, o fungo emite "fios tubulares finos. Eles são extremamente pequenos, um décimo ou um vigésimo da espessura de um fio de cabelo humano", explicam. "Eles penetram profundamente no solo e extraem nutrientes, como nitrogênio e fósforo, e os devolvem à planta. Isso realmente desafia a suposição de que as plantas são organismos isolados e nos força a pensar sobre como os organismos estão envolvidos em uma miríade de interações que não vemos", afirmou à NatGeo Toby Kiers, um dos autores do estudo, que é biólogo evolucionista da Universidade Livre de Amsterdã, nos Países Baixos, e diretor executivo da Sociedade para a Proteção de Redes Subterrânea (SPUN), formada em 2021 por uma rede global de cientistas e pesquisadores. Esta é uma relação tão vantajosa para os envolvidos que mais de 70% das plantas estabelecem parceria com fungos micorrízicos arbusculares, incluindo culturas essenciais para a nossa alimentação, como trigo, milho e arroz. Pela primeira vez, cientistas mapearam a rede subterrânea de um tipo de fungo, a micorriza arbuscular, mostrando onde ela é mais densa em todo o mundo. (quanto mais cerde claro, mais fungos) Emma Dilic, NG Staff. Source: J.D. Stewart, et al. Utilizando modelos de aprendizado de máquina (machine learning) e evidências de milhares de amostras de solo, os cientistas descobriram ainda que um único tipo de fungo — chamado fungo micorrízico arbuscular — pesa coletivamente 300 megatons, o que corresponde a quatro a seis vezes a massa de todos os seres humanos do planeta! O estudo também documenta potenciais ameaças a essa infraestrutura vital. Uma delas é a agricultura. Em média, a densidade da rede em terras agrícolas é 47,3% menor do que em ecossistemas selvagens. “Muitas práticas agrícolas em larga escala prejudicam as redes de fungos. A forma mais evidente é com técnicas como a aração, em que se penetra no solo e literalmente o revolve", disse ao The Guardian o Dr. Justin Stewart, autor principal do estudo. Segundo ele, fertilizantes ou fungicidas também podem interromper a simbiose entre as plantas e os fungos". Por isso, os pesquisadores defenderam que, se os agricultores fossem incentivados a proteger os fungos do solo, as plantas poderiam obter mais nutrientes naturalmente, reduzindo a necessidade de fertilizantes, enquanto os fungos ajudariam a transferir mais carbono para as camadas mais profundas do solo, contribuindo para a redução do aquecimento global. Os cientistas alertaram que as consequências da perda das redes fúngicas podem ser abrangentes. Redes fúngicas de menor densidade reduzem a capacidade do solo de armazenar carbono e distribuir nutrientes, além de protegerem os cursos d'água do nitrogênio, fósforo e outros produtos químicos. “Se eles desaparecerem, haverá muito mais produtos químicos nos cursos d'água. Em última análise, o objetivo da pesquisa é ajudar cientistas e tomadores de decisão a entender onde os ecossistemas fúngicos estão prosperando e onde estão ameaçados. Apresentaremos esses dados aos governos na próxima Conferência sobre Desertificação (PoC) na Mongólia, em agosto", afirmou a Dra. Toby Kiers, uma das autoras do estudo. Mais Lidas

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