Chuvas extremas na Indonésia mataram 7% dos orangotangos mais raros do mundo, diz estudo
Um só Planeta [Unofficial]
June 11, 2026
Em quatro dias de chuvas torrenciais e deslizamentos de terra na ilha indonésia de Sumatra, em novembro passado, foram mortos 58 orangutangos, ou 7% da população restante do grande primata mais raro do mundo, aumentando os temores sobre a sobrevivência da espécie, afirma uma nova pesquisa. O estudo sugere que 58 dos menos de 800 orangotangos de Tapanuli (Pongo tapanuliensis), uma espécie criticamente ameaçada de extinção, morreram em decorrência da passagem do Ciclone Senyar, quando choveu 1.000 mm em apenas 4 dias. “É trágico perder tantos primatas dessa forma. Em paisagens onde as populações são pequenas e fragmentadas, esse tipo de evento climático ou meteorológico pode ter consequências em nível populacional. É extremamente preocupante para o futuro dessa espécie”, disse ao The Guardian o Prof. Serge Wich, primatologista da Universidade Liverpool John Moores e coautor do estudo, publicado na quarta-feira (10) na revista Current Biology. O ciclone Senyar devastou vastas áreas florestais em Sumatra, na Indonésia, em 2025 Getty Images Os pesquisadores afirmam que estes são números conservadores, que não levam em consideração os danos à copa das árvores causados pela chuva ou a redução da disponibilidade de alimentos, apenas as mortes diretamente causadas por enchentes e deslizamentos. "O que me impressionou foi que toda a carne havia sido arrancada do rosto. Se alguns hectares de floresta desabam em deslizamentos de terra massivos, até mesmo os orangotangos mais fortes ficam indefesos e acabam mutilados", afirmou à BBC o professor Erik Meijaard, diretor-geral da Borneo Futures no Brunei e um dos autores do estudo. Antes e depois: imagem de satélite mostra a devastação causada pelo ciclone no habitat dos orangotangos em Sumatra Reprodução do artigo Imagens de satélite revelaram que aproximadamente 8.300 hectares – 11,7% desse importante habitat florestal – foram devastados na ocasião. Os cientistas afirmaram que as mudanças climáticas aumentaram a intensidade das chuvas em até 50%. Os pesquisadores envolvidos no estudo, da Borneo Futures, da World Weather Attribution e da Liverpool John Moores University, recomendaram uma moratória imediata nas atividades de uso da terra que degradam o habitat remanescente do orangotango de Tapanuli, juntamente com a expansão das áreas protegidas para estabilizar adequadamente a população. Em vermelho, as áreas afetadas por deslizamentos e enchentes nas florestas de Sumatra com a passagem do ciclone em 2025 Reprodução do artigo "A crise enfrentada pelo orangotango de Tapanuli ilustra a convergência da instabilidade climática, da perda de biodiversidade e da vulnerabilidade, exigindo uma resposta coordenada à altura da ameaça. Por meio de uma proteção interna reforçada, planejamento adaptado às mudanças climáticas e assistência financeira e técnica global, ainda podemos evitar a primeira extinção moderna de uma espécie de grande primata", diz o relatório. O ciclone Senyar, que devastou Sumatra, também causou a morte de mais de 1.000 pessoas, no desastre natural mais mortal do Sudeste Asiático em 2025. Mais Lidas
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