Deslizamentos e enchentes mataram quase 60 orangotangos da espécie mais rara do mundo na Indonésia
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June 11, 2026
Deslizamentos de terra provocados pelas mudanças climáticas aniquilaram aproximadamente um em cada dez integrantes dos últimos representantes da espécie de grande símio mais rara do mundo na ilha de Sumatra, na Indonésia, afirmou uma equipe de cientistas nesta quarta-feira (10). Vulcão Kilauea: sequência de erupções bate recorde que resistia há mais de quatro décadas no Havaí Vídeo de aurora austral 'serpenteando' sobre a Antártida viraliza e impressiona internautas: 'Parece um feitiço de Harry Potter' Um único episódio meteorológico, ocorrido em novembro do ano passado, dizimou parte da população do orangotango-de-tapanuli, da qual restam menos de 800 exemplares na natureza, segundo um estudo publicado na revista científica Current Biology. Estima-se que 58 orangotangos-de-tapanuli tenham morrido em consequência de deslizamentos de terra provocados por fortes chuvas durante o ciclone Senyar. O número representa aproximadamente 11% da população que vive na região e cerca de 7% do total estimado da espécie em estado selvagem. As inundações provocadas pelo evento mataram mais de mil pessoas. Os orangotangos-de-tapanuli são extremamente raros e habitam uma área reduzida da ilha de Sumatra. "Este nível de perdas é considerável para uma espécie cuja população total é tão baixa", declarou Erik Meijaard, da Borneo Futures, organização especializada em questões ambientais. Floresta devastada As inundações também destruíram fontes de alimento e áreas de refúgio utilizadas por esses orangotangos. Os cientistas analisaram imagens de satélite registradas após os deslizamentos de terra no ecossistema de Batang Toru, que abriga a maior população desses símios. A análise revelou que aproximadamente 8.300 hectares de floresta — mais de 11% da área total — foram afetados. "A perda estimada de 58 orangotangos-de-tapanuli durante um único episódio de deslizamento de terra induzido pelo clima constitui um choque demográfico devastador para o grande símio mais raro do mundo", declarou o pesquisador Jatna Supriatna, da Universidade da Indonésia. Pressão humana sobre o habitat Há anos, ecologistas fazem campanha contra atividades industriais em Batang Toru, especialmente uma usina hidrelétrica e uma mina de ouro instaladas na região. Os orangotangos-de-tapanuli já não vivem em seu habitat ideal, mas em áreas para as quais foram deslocados em razão do avanço do desenvolvimento humano. "Para evitar a primeira extinção moderna de uma espécie de grande símio, a Indonésia deve proteger permanentemente o ecossistema de Batang Toru", reforçou Jatna. "Mas nossos parceiros internacionais também devem cumprir seus compromissos globais com financiamento imediato para a restauração da biodiversidade", acrescentou.
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