External Publication
Visit Post

Maior escorpião já registrado tinha tamanho de uma criança e viveu há 415 milhões de anos, mostra novo estudo

Um só Planeta [Unofficial] June 8, 2026
Source
Um escorpião de cerca de 1 metro de comprimento e pinças de 16 centímetros pode ter sido um dos principais predadores da Terra há 415 milhões de anos, muito antes do surgimento das primeiras florestas. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Palaeontology, que identificou fósseis encontrados no atual Reino Unido como pertencentes a uma espécie gigante de escorpião pré-histórico. Batizado de Praearcturus gigas, o animal viveu durante o Período Devoniano Inicial, quando a vida terrestre ainda era dominada por pequenos artrópodes, grupo que inclui insetos, aranhas, crustáceos e os próprios escorpiões. A descoberta surpreende porque, naquela época, quase todos os animais que habitavam o ambiente terrestre tinham dimensões modestas. Ainda assim, esse gigante alcançou um tamanho comparável ao de um crocodilo pequeno. “O que torna o Praearcturus tão interessante é que ele se tornou enorme em uma época em que a vida em terra firme era muito pequena”, afirmou Russell Garwood, um dos autores do estudo. “Era um mundo que, de alguma forma, conseguia sustentar um predador gigante.” As pinças do Praearcturus tinham 16 centímetros de comprimento. A descoberta de mais fósseis da espécie poderá ajudar os cientistas a compreender melhor como vivia e por que foi extinto esse enorme escorpião. The Trustees of the Natural History Museum, London Mistério de mais de 100 anos Os primeiros fósseis da espécie foram encontrados na Inglaterra e no País de Gales ainda no século XIX. Desde então, os cientistas discutiam a qual grupo de animais aqueles fragmentos pertenciam. Inicialmente, os restos foram atribuídos a um grande crustáceo semelhante a um tatuzinho-de-jardim. Na década de 1980, pesquisadores sugeriram que se tratava de um escorpião, mas a hipótese permaneceu controversa devido à fragmentação dos fósseis e à ausência da típica cauda desses aracnídeos. Agora, uma equipe liderada por pesquisadores do Natural History Museum e da University of Manchester reexaminou os espécimes utilizando técnicas modernas de imagem e comparações com outros fósseis recentemente descritos. “Confirmar que esse animal era um escorpião muda fundamentalmente nossa compreensão sobre como e quando esses animais evoluíram para tamanhos tão extraordinários”, disse Richard Howard, autor principal do trabalho, em nota. Parte do tempo na água A análise também sugere que o animal provavelmente tinha um estilo de vida semiaquático. Algumas estruturas preservadas nos fósseis indicam adaptações semelhantes às encontradas em crustáceos modernos, como lagostas e caranguejos. Segundo os pesquisadores, isso ajuda a explicar como o escorpião conseguiu atingir dimensões tão grandes. A água oferece sustentação ao corpo e reduz limitações físicas enfrentadas por animais terrestres de grande porte. “Sem ecossistemas terrestres complexos para sustentar o Praearcturus em terra, esses animais provavelmente passavam parte da vida caçando na água”, afirmou Howard. Além disso, a ausência de outros grandes predadores terrestres pode ter favorecido a evolução do gigantismo. O estudo sugere que o escorpião ocupava o topo da cadeia alimentar em planícies alagadas que existiam onde hoje ficam partes da Inglaterra e do País de Gales. A descoberta amplia o conhecimento sobre a evolução dos artrópodes gigantes e mostra que predadores de grande porte surgiram muito antes do que se imaginava em ambientes terrestres ainda pouco desenvolvidos. Mais Lidas

Discussion in the ATmosphere

Loading comments...