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Fóssil de 415 milhões de anos revela maior escorpião já descoberto

Galileu [Unofficial] June 3, 2026
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Há cerca de 415 milhões de anos, muito antes dos dinossauros surgirem, um predador de tamanho impressionante dominava regiões que hoje correspondem à Inglaterra e ao País de Gales. Agora, uma nova pesquisa confirmou que os fósseis de Praearcturus gigas pertencem ao maior escorpião já identificado. Os fósseis dessa espécie são conhecidos pelos cientistas há mais de um século. No entanto, sua verdadeira identidade permaneceu em debate durante décadas. Uma nova pesquisa, publicada em 2 de junho na revista Palaeontology, que analisou diversos espécimes fósseis, permitiu confirmar que o animal está entre os maiores escorpiões pré-históricos já encontrados. A descoberta de Eramoscorpius, descrito a partir de um fóssil bem preservado encontrado no Canadá em 2015, foi decisiva para solucionar a questão. Segundo os pesquisadores, esse antigo escorpião apresenta uma estrutura anatômica chamada esterno — uma formação triangular alongada com um sulco central —, que também aparece nos fósseis de P. gigas. Como as duas espécies têm idade semelhante e compartilham essa característica, os cientistas afirmam que agora é possível concluir que a espécie era realmente um escorpião. Eramoscorpius foi provavelmente um dos primeiros escorpiões semiterrestres; o gênero possui apenas uma espécie conhecida, a Eramoscorpius brucensis Dunlop & Garwood/PeerJ Com mais de um metro de comprimento estimado e pinças que chegavam a 16 centímetros, o animal estava entre os primeiros grandes predadores a ocupar ambientes terrestres. Na época, a vida em terra firme ainda era relativamente recente, e poucos animais tinham alcançado tamanhos tão significativos. As pinças de Praearcturus gigas podiam alcançar 16 centímetros de comprimento. No maior espécime incompleto encontrado, o pedipalpo (a parte articulada da pinça) media mais de 7,6 centímetros; no menor exemplar completo, cerca de 6,96 centímetros The Trustees of the Natural History Museum Segundo os autores do estudo, o corpo robusto do animal provavelmente lhe garantia uma ampla variedade de presas. Em terra, ele poderia caçar pequenos artrópodes que habitavam as planícies alagadas do período Devoniano. Os pesquisadores também sugerem que o escorpião poderia atuar como um predador aquático, alimentando-se de peixes e outros animais de grande porte. "Praearcturus viveu quando a vida na terra estava apenas começando e os ancestrais de répteis, mamíferos e aves ainda não haviam saído da água. Isso sugere que essa espécie pode ter crescido tanto porque não havia outros grandes predadores, permitindo que ela dominasse seu ambiente", afirmou Richie Howard, curador de artrópodes fósseis do Museu de História Natural de Londres e autor principal do estudo, em comunicado. A identidade do Praearcturus gigas é especialmente importante porque oferece novas pistas sobre um dos momentos mais decisivos da história da Terra: a colonização dos ambientes terrestres por formas de vida complexas. Durante o Devoniano, pequenas plantas começaram a se espalhar pelos continentes e desenvolver adaptações que mais tarde dariam origem às primeiras florestas. Fungos e pequenos artrópodes foram os primeiros a ocupar esses ambientes, mas a presença de um predador desse porte sugere que a transição da vida da água para a terra era mais complexa do que os cientistas imaginavam. Apesar dos avanços, muitas perguntas continuam sem resposta. Fragmentos fósseis encontrados em Portishead, na Inglaterra, indicam que a espécie pode ter sobrevivido por pelo menos mais 40 milhões de anos, mas essa associação ainda não foi confirmada. Segundo os pesquisadores, novas descobertas serão necessárias para determinar se esses restos realmente pertencem a Praearcturus e para esclarecer outras questões sobre a biologia, a evolução e o desaparecimento do maior escorpião já identificado pela ciência.

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