A ciência secreta dos gramados da Copa do Mundo: grama 'perfeita' levou 8 anos para ficar pronta
Um só Planeta [Unofficial]
June 6, 2026
Quando a Copa do Mundo começar, na próxima quinta (26), todos estarão de olho na bola no pé, mas há outro protagonista silencioso em preparação há quase uma década para entrar em campo: o gramado. Dos estádios cobertos dos Estados Unidos ao calor do norte do México, os campos da Copa de 2026 foram projetados para oferecer as mesmas condições de jogo aos atletas — um desafio que exigiu anos de pesquisa para criar gramados capazes de resistir a 104 partidas em três países, diferentes climas e até arenas originalmente construídas para grama sintética. A missão é mais complexa do que parece. Um campo irregular pode interferir no quique da bola, aumentar o risco de lesões e até influenciar o resultado de uma partida. A Copa de 2026 será a maior da história, com 48 seleções e partidas distribuídas entre Estados Unidos, Canadá e México. Isso criou um desafio inédito: como garantir que um jogo em Vancouver, no Canadá, aconteça sobre uma superfície semelhante à de uma partida em Monterrey, no norte do México, onde as temperaturas de verão são muito mais elevadas? As pesquisas foram conduzidas por especialistas das universidades do Tennessee e Michigan State, que chegaram à solução de criar duas misturas de gramas, aponta reportagem do site Grist. Nos locais mais quentes, os especialistas optaram pela grama Bermuda, conhecida por suportar calor intenso. Já nos estádios mais frios ou fechados, foi utilizada uma combinação de azevém perene (perennial ryegrass) e capim-bluegrass do Kentucky. As mudas foram cultivadas em dez fazendas especializadas distribuídas pelos três países-sede. O desafio foi ainda maior porque oito dos estádios da Copa utilizam normalmente gramado sintético, principalmente arenas da liga profissional de futebol americano dos Estados Unidos. Em Seattle, por exemplo, o tradicional gramado artificial do estádio foi coberto por uma estrutura especial de drenagem e ventilação. Depois, foram adicionados mais de 25 centímetros de areia e uma camada de grama natural reforçada por fibras sintéticas. Alguns estádios apresentaram desafios ainda mais incomuns. O estádio de Dallas, que receberá nove partidas, mais do que qualquer outro da Copa, possui um teto retrátil que impede que a luz solar alcance boa parte do campo. Para resolver o problema, engenheiros instalaram enormes luzes rosas suspensas sobre o gramado. O sistema fornece a radiação necessária para a fotossíntese e mantém a grama saudável mesmo sem exposição direta ao sol. Tecnologia que pode chegar aos parques e cidades Embora tenha sido desenvolvida para o maior evento esportivo do planeta, a tecnologia pode acabar beneficiando muito mais do que os estádios. Os pesquisadores acreditam que os sistemas criados para a Copa permitirão desenvolver gramados mais resistentes e sustentáveis em parques, centros esportivos e áreas públicas. Entre as inovações estão sistemas hidropônicos capazes de reciclar a água utilizada na irrigação, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência do cultivo. Mais Lidas
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