Ao achar 'vítima', esta mosca faz algo inesperado: sacrifica a própria visão para poder se alimentar; entenda
Um só Planeta [Unofficial]
June 2, 2026
Uma mosca parasita que se alimenta de sangue faz uma escolha radical depois de encontrar sua vítima: abre mão de parte da própria visão. A descoberta foi feita por pesquisadores do Reino Unido e da Itália e ajuda a explicar como alguns parasitas economizam energia para sobreviver. Conhecidas como "deer keds", essas moscas parasitas são encontradas na Europa, Ásia, África e Américas. Na fase adulta, elas usam os olhos e o voo para localizar um hospedeiro — geralmente cervos, mas ocasionalmente humanos e outros mamíferos. Quando finalmente pousam sobre um animal, porém, arrancam as próprias asas de forma permanente e passam o restante da vida rastejando entre os pelos e se alimentando de sangue. Micrografias eletrônicas de varredura mostrando a cabeça da mosca Lipoptena andaluciensis. (A–C) Vistas dorsal (A), ventral (B) e lateral (C) da cabeça. (D) Vista dorsal do olho composto esquerdo. A direção anterior está voltada para o topo da figura em A e B, e para a esquerda da figura em C e D. Cada imagem corresponde a um indivíduo diferente. Reprodução do artigo Segundo o estudo, publicado na revista científica Journal of Experimental Biology, essa mudança drástica de estilo de vida é acompanhada por uma transformação igualmente profunda no sistema sensorial do inseto. Os pesquisadores analisaram moscas em diferentes fases da vida e compararam a atividade dos genes responsáveis pela sensibilidade visual antes e depois da perda das asas. O resultado mostrou que, após se tornarem parasitas permanentes, a atividade desses genes cai para cerca de metade do nível anterior. “Descobrimos que o sistema visual de uma mosca parasita de cervos em voo é muito parecido com o da mosca tsé-tsé, famosa por localizar mamíferos na África. Mas, depois que perde as asas e adota a vida parasitária, a atividade dos genes ligados à visão é reduzida pela metade”, afirmou o pesquisador Roger Santer, da Universidade de Aberystwyth, que liderou o trabalho. Isso não significa que o inseto fique completamente cego. Os cientistas acreditam que ele apenas reduz sua capacidade visual para poupar energia e direcioná-la a funções mais importantes para sua nova rotina, como digestão e reprodução. “Acreditamos que a mosca esteja sacrificando parte da visão para conservar energia”, disse Santer. Para os pesquisadores, os resultados mostram como a evolução ajusta os sentidos dos animais às suas necessidades. Enquanto insetos que precisam procurar hospedeiros dependem fortemente da visão, aqueles que passam a vida inteira sobre um único animal podem investir menos nesse sentido. Além de revelar uma estratégia incomum da natureza, o estudo pode ajudar no desenvolvimento de formas mais eficazes de monitorar e controlar moscas parasitas e outros insetos que se alimentam de sangue. Mais Lidas
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