Mosquitos podem se sentir atraídos pelo cheiro de repelentes; estudo
Galileu [Unofficial]
May 29, 2026
O DEET (N,N-dietil-meta-toluamida) é considerado o tipo de repelente mais eficazcontra insetos, como mosquitos, moscas e carrapatos. Ainda assim, uma pesquisa publicada em 28 de maio no periódico Journal of Experimental Biology mostrou que a substância pode perder eficácia quando os mosquitos são expostos repetidamente a ela. Os pesquisadores descobriram que, em determinadas situações, o repelente pode até atrair os insetos. Isso acontece porque os mosquitos aprendem a associar o cheiro do produto à presença de sangue humano, sua fonte de alimento. Experimento de Pavlov A descoberta surgiu a partir de uma adaptação do famoso experimento de Pavlov, no qual cães aprendiam a relacionar o toque de um sino à chegada de comida. No estudo, o pesquisador David De Luca, da Universidade de Tours, na França, manteve os mosquitos atrás de uma tela de tecido e colocou diante deles um saco de sangue aquecido, fora de alcance. O objetivo era medir o quanto os insetos tentavam perfurar a barreira com seus aparelhos bucais na tentativa de se alimentar. Inicialmente, os mosquitos evitavam a refeição cercada pelo cheiro de DEET. O comportamento mudou quando a equipe passou a alimentá-los com sangue morno durante 20 segundos e, ao fim da refeição, borrifava o odor do repelente no ambiente por mais 10 segundos. Após repetir o procedimento outras três vezes, mais de 60% dos insetos passaram a tentar picar ao sentir apenas um leve cheiro de DEET. "Já foi demonstrado que os mosquitos possuem uma capacidade de aprendizagem impressionante, mas o fato de conseguirem associar um odor repelente tão forte à sua comida e, posteriormente, serem atraídos por ela, é notável e importante para termos consciência disso no futuro”, comenta Nina Stanczyk, da ETH Zurique, que já havia estudado a eficácia do DEET contra mosquitos, em entrevista ao The Guardian. Repelente funciona? Para confirmar que os mosquitos haviam desenvolvido atração pelo repelente, os pesquisadores lhes deram duas opções: uma mão da pesquisadora Ayelén Nally, da Universidade de Buenos Aires, coberta com DEET, e outra sem o produto. Os insetos demonstraram preferência pela mão com repelente. Em outro experimento, Charly Dufour, também da Universidade de Tours, tentou treinar os mosquitos a associar uma guloseima açucarada ao cheiro do DEET. Depois disso, os insetos passaram a reagir com entusiasmo ao odor do repelente. Segundo conta em comunicado Claudio Lazzari, da Universidade de Tours, o fenômeno ocorre em uma situação bastante específica: quando o mosquito entra em contato com alguém que aplicou o repelente várias horas antes. Nessa condição, a concentração do DEET já não é suficiente para afastar o inseto, mas ainda permite que ele detecte o cheiro da substância. “É a informação que o DEET transmite aos insetos que pode levá-los a decidir não picar”, explica Lazzari. Segundo ele, o repelente provavelmente imita compostos naturais presentes em plantas que afastam insetos. Os resultados não significam que o DEET deixou de funcionar. O repelente continua sendo uma ferramenta importante na prevenção de doenças transmitidas por mosquitos, segundo os pesquisadores.
Discussion in the ATmosphere