Conferência de Santa Marta: 8 conceitos-chave para entender o evento que quer acelerar o fim dos combustíveis fósseis
Um só Planeta [Unofficial]
April 24, 2026
A primeira Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, realizada entre os dias 24 e 29 de abril em Santa Marta, na Colômbia, é mais uma tentativa de avançar em um dos temas mais sensíveis da agenda climática global: como tirar, de fato, o petróleo, o gás e o carvão da matriz energética mundial. Organizada pela Colômbia e Países Baixos, a conferência nasce como um espaço político paralelo às negociações da ONU, com foco em implementação, e não apenas em compromissos. A seguir, entenda os principais conceitos que estruturam o debate. Transição para longe dos combustíveis fósseis É o eixo do encontro. O conceito se refere à substituição gradual de fontes como petróleo, carvão e gás por alternativas de baixo carbono, como energias renováveis. A ideia ganhou força após a COP28 e a COP30, quando países passaram a discutir, ainda que com resistência, a necessidade de reduzir o uso dessas fontes — responsáveis pela maior parte das emissões globais e, portanto, pelo aquecimento global. Transição energética justa Não se trata apenas de trocar a fonte de energia, mas de garantir que essa mudança não amplie desigualdades. Inclui proteger trabalhadores, apoiar comunidades dependentes da indústria fóssil e garantir que países em desenvolvimento tenham acesso a financiamento e tecnologia para fazer a referida transição. Coalizão dos dispostos Refere-se ao grupo de países que decidiram avançar na transição mesmo sem consenso global, especialmente, diante dos impasses nas COPs. A estratégia busca contornar bloqueios políticos e acelerar ações por meio de alianças voluntárias. Espaço complementar às COPs A conferência não faz parte da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), mas foi criada justamente como resposta à lentidão das negociações formais. A proposta é funcionar como um ambiente mais ágil, onde países possam discutir implementação e cooperação prática, sem depender de consenso entre todas as nações. Vista do litoral de Santa Marta, no Caribe colombiano; cidade combina turismo, atividade portuária e exportação de carvão, e será a capitão mundial do debate sobre transição energética. Reprodução/Transitionawayconference Mapa do Caminho para o fim dos fósseis Um dos principais produtos esperados do encontro. Trata-se de um roteiro global com metas, prazos e mecanismos para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis. É uma proposta brasileira que não foi assumida na COP30, em Belém. Mas, o plano segue sendo desenvolvido e deve ganhar insumos técnicos e políticos a partir das discussões em Santa Marta. A previsão é que o planejamento ganhe força e seja apresentado na COP31. Implementação climática Diferente das COPs, muitas vezes focadas em negociação, Santa Marta enfatiza a implementação — ou seja, como transformar acordos em políticas reais. Isso inclui medidas como eliminação de subsídios aos fósseis, expansão de renováveis e reestruturação dos sistemas energéticos. Multilateralismo em dois níveis Conceito que ganhou força na COP30 e será testado em Santa Marta. Refere-se à combinação entre: negociações formais (como as da ONU) e iniciativas políticas paralelas (como a da Colômbia). A ideia é acelerar decisões em um cenário global marcado por disputas geopolíticas. Descarbonização da economia Termo técnico para a redução das emissões de carbono em setores como energia, indústria e transporte. É um dos maiores desafios econômicos e políticos do século. Mais Lidas
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