Urina humana pode virar fertilizante sustentável com baixo consumo de energia, aponta estudo
Um só Planeta [Unofficial]
April 14, 2026
Aquilo que hoje é tratado como resíduo e vai direto para o esgoto pode, no futuro, ajudar a alimentar plantações. Um estudo recente realizado pela Universidade de Surrey, do Reino Unido, em colaboração com a Universidade de KwaZulu-Natal, na África do Sul, indica que a urina humana tem potencial para se tornar uma fonte relevante e sustentável de fertilizantes. A explicação para isso é que ela contém a maioria dos nutrientes essenciais para as plantas, incluindo nitrogênio, fósforo e potássio. A pesquisa, publicada no Journal of Environmental Chemical Engineering, investiga como esses nutrientes podem ser recuperados e reutilizados por meio da concentração da urina em um fluxo rico em fertilizantes. Utilizando um processo de baixo consumo energético conhecido como osmose direta, os cientistas conseguiram remover a água e reter altos níveis de nutrientes sem, segundo eles, a demanda energética das tecnologias convencionais de tratamento de efluentes. Siddharth Gadkari, professor de Engenharia de Processos Químicos da Universidade de Surrey, ao lado do maquinário usado na pesquisa Divulgação Essa abordagem, eles explicam, pode reduzir a sobrecarga nas estações de tratamento, ao mesmo tempo que apoia uma produção de fertilizantes mais sustentável. “Embora contenha nutrientes essenciais para a agricultura, atualmente tratamos a urina como resíduo. Nossa pesquisa demonstra que, com a abordagem de tratamento adequada, podemos recuperar esses nutrientes de forma eficiente, reduzindo o consumo de energia no tratamento de efluentes”, disse o autor Siddharth Gadkari, professor de Engenharia de Processos Químicos da Universidade de Surrey, em comunicado. Um dos entraves técnicos, no entanto, está no acúmulo de material biológico e orgânico nas membranas utilizadas no processo. Conhecido como incrustação, isso pode comprometer o desempenho ao longo do tempo. O estudo avaliou o comportamento da urina humana em operação repetida, mostrando como diferentes condições afetam a incrustação, a eficiência do sistema e a limpeza. O que a equipe descobriu foi que etapas simples de pré-tratamento, como a filtração, podem melhorar significativamente o desempenho, enquanto a maior parte da incrustação pode ser revertida por meio da limpeza, tornando o sistema mais viável para uso a longo prazo. “Demonstramos como esse sistema se comporta em condições realistas, usando urina humana de verdade. Se conseguirmos controlar a incrustação de forma eficaz, essa tecnologia poderá se aproximar muito mais de um uso prático e de longo prazo”, apontou Gadkari. Para os pesquisadores, a adoção desse tipo de solução pode ajudar a reduzir a dependência da produção de fertilizantes, que consome muita energia, diminuir as emissões de carbono e apoiar uma gestão mais sustentável da água e dos nutrientes, temas cada vez mais relevantes diante das pressões ambientais e da demanda crescente por alimentos. Mais Lidas
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