Nordeste concentra potencial de hidrogênio verde no Brasil, aponta estudo; mas há desafios logísticos
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April 9, 2026
Publicado no International Journal of Hydrogen Energy e divulgado pela Agência FAPESP, um estudo aponta que o Brasil reúne condições para se tornar um dos principais produtores de hidrogênio verde (H₂V). No entanto, há pendências estruturais: as áreas com maior capacidade de produção não são os principais centros industriais consumidores. A pesquisa, conduzida pelo Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), da Universidade de São Paulo, analisou dados de municípios brasileiros para mapear o potencial de produção e uso do combustível no país. O que é consenso: não basta produzir energia limpa, é preciso garantir que ela chegue, em proporção suficiente, aos setores que mais precisam reduzir emissões. O hidrogênio verde é um elemento químico produzido com uso de fontes renováveis, como energia solar e eólica, e é uma das principais apostas para reduzir emissões. Além disso, pode substituir combustíveis fósseis em setores industriais de difícil descarbonização, como siderurgia, transporte pesado e produção de fertilizantes, o que reduz o impacto das mudanças climáticas. Nordeste Os resultados identificaram sete regiões com alto potencial de produção e 10 com maior capacidade de consumo industrial. O Nordeste se destaca como principal polo produtivo, impulsionado pela abundância de energia solar e eólica. A modelagem não cita estados específicos, sendo que considera variáveis como incidência solar, velocidade dos ventos e proximidade de infraestrutura elétrica e portuária. Na prática, essas "características" se concentram em estados como Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia e Piauí. Já o consumo tende a se concentrar no Sul e Sudeste, onde estão os maiores complexos industriais e também as maiores emissões. Desafio logístico Para viabilizar a cadeia do hidrogênio, será necessário investir em infraestrutura de transporte, armazenamento e distribuição. O próprio estudo destaca que esse “gap” entre oferta e demanda exige a elaboração de novas rotas energéticas, conectando regiões ricas em renováveis, principalmente no litoral nordestino, aos polos industriais do Sudeste e Sul. Infraestrutura Entre as soluções discutidas estão a criação de hubs de hidrogênio, que são polos industriais que concentram produção e consumo, além do desenvolvimento de novas rotas logísticas, como gasodutos adaptados, transporte marítimo e conversão em derivados como a amônia verde. “Para longas distâncias, muitas vezes é preferível converter o hidrogênio em amônia verde, porque já existe know-how para transporte marítimo e infraestrutura portuária”, explica a pesquisadora Drielli Peyerl, do Instituto de Energia e Ambiente da USP. O estudo também indica que a formação desses clusters deve considerar a proximidade com portos, redes elétricas e gasodutos existentes. Mais Lidas
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