Árvore 'zumbi' na Austrália pode desaparecer em uma geração, alertam cientistas
Um só Planeta [Unofficial]
March 17, 2026
Uma árvore recém-identificada na Austrália tem chamado a atenção da ciência por um motivo preocupante. Apelidada de “árvore zumbi”, a espécie Rhodamnia zombi está viva, mas praticamente incapaz de se reproduzir na natureza, o que pode levá-la à extinção em apenas uma geração, segundo estudo publicado na revista científica Austral Ecology, divulgado pelo ScienceDaily. A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Universidade de Queensland, que acompanham o avanço de uma doença fúngica conhecida como ferrugem-da-mirtilo (myrtle rust). O patógeno ataca a planta, impedindo que ela floresça e produza sementes. A situação é considerada crítica. Desde 2020, cerca de 10% dos indivíduos já morreram, e nenhum dos exemplares restantes conseguiu se reproduzir. “Sem intervenção, essa espécie e outras 16 listadas na mesma categoria podem desaparecer em uma geração”, afirmou o botânico Rod Fensham, responsável pelo estudo. Espécie Encontrada em áreas de floresta tropical na região de Burnett, em Queensland, a Rhodamnia zombi é descrita como uma árvore de pequeno a médio porte, com folhas verdes escuras, casca rugosa e flores brancas. No entanto, essas características já não se manifestam plenamente na natureza devido ao impacto da doença. Detectada pela primeira vez na Austrália em 2010, a ferrugem-da-mirtilo se espalhou e hoje impacta espécies nativas. No caso da “árvore zumbi”, o fungo cria lesões amareladas, bloqueando o crescimento e a reprodução até levar à morte do indivíduo. Corrida Diante do risco iminente, cientistas tentam uma estratégia de resgate. A ideia é coletar mudas antes da infecção e cultivá-las em ambientes protegidos, livres do fungo. Há exemplares em viveiros nas cidades de Lismore e Townsville. A aposta é que, ao longo das próximas gerações, algumas plantas desenvolvam resistência natural à doença. “Esperamos que, quando essas plantas produzirem sementes, surjam indivíduos com alguma resistência”, explicou Fensham. “É uma oportunidade rara de observar a evolução acontecendo em tempo real”. Indefinição Mesmo com os esforços, os próprios pesquisadores reconhecem que o sucesso não é garantido. A sobrevivência da espécie depende de fatores como variabilidade genética e capacidade de adaptação ao patógeno. “Sem intervenção, essas árvores são praticamente mortos-vivos”, resume o pesquisador. Mais Lidas
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