Cientistas descobrem fungo marinho capaz de matar algas tóxicas nos oceanos
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March 10, 2026
Um fungo microscópico recém-descoberto pode representar um aliado no controle de algas tóxicas que se proliferam nos oceanos e geram impactos ambientais e riscos à saúde humana. A descoberta foi feita por pesquisadores da Yokohama National University, que identificaram um parasita marinho capaz de infectar e matar espécies de algas responsáveis por florações nocivas. As informações estão no Science Daily. O organismo, cujo nome científico é Algophthora mediterranea, ataca algas como Ostreopsis cf. ovata, conhecidas por produzir toxinas que podem causar irritação nos pulmões, olhos e pele de pessoas. O estudo, que foi publicado na revista científica Mycologia, e sugere que fungos marinhos podem desempenhar um papel mais importante do que se projetava. Parasita microscópico x algas Os pesquisadores descobriram que o fungo pertence ao grupo dos quitrídios, uma classe de fungos aquáticos que vivem como parasitas de outros organismos. “O fungo parasita as células da alga e pode matá-las rapidamente”, explica a pesquisadora Núria Pou-Solà, que participou da descrição da nova espécie. Experimentos adicionais mostraram que o parasita não se limita a uma única espécie de alga. Ele pode infectar diferentes organismos e até sobreviver alimentando-se de grãos de pólen que chegam ao oceano. “Embora estudos de DNA revelem uma grande diversidade de fungos marinhos, apenas um pequeno número de espécies parasitas foi isolado até agora, e sua ecologia ainda é pouco compreendida”, ressaltou Pou-Solà. Florações As chamadas florações de algas nocivas têm se tornado cada vez mais frequentes em oceanos, rios e lagos. Esses eventos ocorrem quando determinadas espécies de algas crescem rapidamente, muitas vezes estimuladas por temperaturas mais altas e excesso de nutrientes na água. O resultado pode ser uma série de impactos ambientais: degradação da qualidade da água, desequilíbrios nos ecossistemas e liberação de toxinas perigosas para animais e seres humanos. No caso da Ostreopsis cf. ovata, a alga produz uma toxina chamada ovatoxina, que pode provocar sintomas como tosse, irritação nos olhos, falta de ar, coceira e dermatite em pessoas expostas durante florações. Nos últimos anos, grandes proliferações dessa espécie têm sido registradas com maior frequência no Mediterrâneo. Espanha O fungo foi detectado pela primeira vez em 2021 em amostras de água do mar coletadas por cientistas do Institut de Ciències del Mar, na Espanha. A nova espécie foi posteriormente descrita formalmente pela equipe da universidade japonesa, liderada pela pesquisadora Maiko Kagami. Análises genéticas confirmaram que o organismo representa não apenas uma nova espécie, mas também um gênero novo. O nome Algophthora combina a palavra “alga” com o termo grego phthora, que denota “destruição”. Regulador Para entender melhor o comportamento do fungo, os pesquisadores acompanharam seu ciclo de vida por quatro dias usando imagens registradas a cada 10 minutos. Também foram realizadas análises com microscopia eletrônica e sequenciamento de DNA. “O próximo passo é investigar como parasitas atuam dentro de comunidades marinhas complexas”, afirma Kagami. A expectativa é que o conhecimento sobre esse tipo de organismo ajude no futuro a melhorar o manejo de florações de algas nocivas. “Nosso objetivo é compreender como fungos parasitas podem influenciar os ciclos biogeoquímicos dos oceanos, uma função ecológica ainda pouco explorado”, finalizou Pou-Solà. Mais Lidas
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