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Cientistas mudam classificação do El Niño após alta das temperaturas globais

Um só Planeta [Unofficial] February 23, 2026
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Cientistas passaram a revisar a forma como os fenômenos El Niño e La Niña são classificados diante do rápido aquecimento global. A mudança ocorre após a temperatura média da Terra registrar, desde 2023, um salto acima da tendência histórica associada às mudanças climáticas causadas diretamente pela atividade humana, sobretudo, a produção de combustíveis fosseis. De acordo com o estudo publicado na revista Nature Geoscience, divulgado pela Euro News, parte desse aumento pode ser explicada pela transição de um raro período de três anos consecutivos de La Niña (2020–2023) para um novo ciclo de aquecimento associado ao El Niño. O fenômeno contribuiu para ampliar o chamado desequilíbrio energético da Terra, que é quando o planeta retém mais calor do que consegue liberar ao espaço. Os pesquisadores estimam que cerca de 75% desse desequilíbrio resulta da combinação entre o aquecimento provocado por emissões de gases de efeito estufa e a mudança entre os ciclos naturais do Pacífico. O que mudou? O problema, segundo meteorologistas, é que o conceito de temperatura “normal” dos oceanos deixou de ser estável em um planeta mais quente. Até agora, o El Niño era definido quando águas do Pacífico equatorial ficavam 0,5°C acima da média histórica, enquanto o La Niña representava o resfriamento equivalente. Com o aquecimento generalizado dos mares, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) adotou um novo índice que compara a temperatura do Pacífico com o restante das regiões tropicais do planeta — e não mais com médias antigas. A mudança deve resultar em mais episódios classificados como La Niña e menos como El Niño nos registros futuros. Calor acumulado Especialistas explicam que longos períodos de La Niña funcionam como um acúmulo de calor no sistema climático. Quando ocorre a transição para o El Niño, esse calor é liberado para a atmosfera, elevando temporariamente as temperaturas do mundo. A NOAA prevê a possível formação de um novo El Niño ainda este ano. Caso se confirme, o fenômeno pode contribuir para novos recordes de temperatura global até 2027. “O que chamávamos de normal ficou para trás há décadas. Com tanto calor acumulado no sistema, todos devem se preparar para eventos climáticos extremos mais intensos”, ressaltou a climatologista Jennifer Francis, do Woodwell Climate Research Center. Mais Lidas

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