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Mais ossos e carcaças: estudo revela dieta 'mais dura' de lobos com clima mais quente; entenda

Um só Planeta [Unofficial] February 14, 2026
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Segundo um novo estudo científico publicado na revista Ecology Letters, lobos-cinzentos adaptam suas dietas em resposta às mudanças climáticas, precisando consumir alimentos mais duros, como ossos, para conseguir obter os nutrientes necessários. As conclusões têm implicações para a o trabalho de conservação de lobos na Europa e em outras regiões do mundo. Para chegar a este resultado, os pesquisadores compararam os dentes de fósseis de lobos-cinzentos de três períodos diferentes usando um método conhecido como Análise de Textura de Microdesgaste Dentário (DMTA), que possibilita estudar arranhões e cavidades microscópicas nos molares dos lobos que registram a dieta do animal nas últimas semanas ou meses de vida. Saiba mais Eles examinaram amostras de: 1) cerca de 200.000 anos atrás, um período com verões semelhantes aos de hoje, mas invernos mais frios 2) cerca de 125.000 anos atrás, quando os verões eram mais quentes do que hoje e os invernos mais amenos 3) de lobos modernos na Polônia, onde os invernos estão se tornando mais quentes e a cobertura de neve está diminuindo. (a) Molares mandibulares mostrando a área de análise, (b) Digitalizações renderizadas das superfícies dos dentes de lobo com contorno topográfico. (c) Simulação fotográfica em tons de cinza da mesma superfície (Espécime Poland: F.2017.10.03) Ecology Letters (2026). DOI: 10.1111/ele.70337 "Os resultados da DMTA em lobos fósseis dos dois períodos interglaciais foram muito diferentes", explicou a coautora, Professora Danielle Schreve, titular da Cátedra Heather Corrie em Mudanças Ambientais da Universidade de Bristol, na Inglaterra ao portal científico Phys. "As características da superfície dos dentes indicam que o comportamento alimentar dos lobos do período interglacial mais antigo incluía o consumo de menos alimentos duros do que os lobos do período interglacial mais recente. Os lobos, durante essas temperaturas mais quentes, parecem ter consumido as carcaças de forma mais completa", acrescentou ela. A autora principal do estudo, Dra. Amanda Burtt, que é pesquisadora sênior honorária da Escola de Ciências Geográficas de Bristol, completa dizendo que a descobertas sugerem que "os lobos estavam se esforçando mais para obter nutrição durante períodos de clima mais quente, buscando mais alimento em carcaças ou consumindo partes de presas que normalmente evitariam." Este comportamento também está sendo observado hoje, nos lobos modernos da Polônia, onde o aquecimento global tem provocado temperaturas mais altas, afirmam os pesquisadores. Para a professora Schreve, isto só evidencia que eles "estão sofrendo um estresse ecológico até então oculto". Os lobos prosperam em invernos frios e com neve, que torna suas presas herbívoras mais vulneráveis, limitando o acesso delas ao alimento e reduzindo sua capacidade de escapar de predadores. Os lobos também são mais ágeis na neve e no gelo, e invernos mais frios estão associados a lobos mais pesados ​​e maior taxa de sobrevivência dos filhotes. Na Polônia, os lobos conseguem atualmente compensar parte do estresse relacionado às mudanças climáticas caçando veados e javalis perto de áreas agrícolas e se alimentando das carcaças de animais atropelados nas rodovias Ironicamente, os lobos que vivem mais distantes de paisagens modificadas pelo homem podem enfrentar maiores desafios no futuro, devido ao acesso limitado a essas fontes alternativas de alimento, conclui o estudo. Mais Lidas

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