Imaginário Cariri: UFC e Fundação Casa Grande criam jogo de tabuleiro que valoriza riquezas da Chapada do Araripe
“Você imagina ou não imagina?” Essa é a pergunta principal do jogo “Imaginário Cariri” , desenvolvido pela Universidade Federal do Ceará (UFC) em parceria com crianças e adolescentes da Fundação Casa Grande, em Nova Olinda, região do Cariri cearense. Voltado a crianças a partir de 11 anos, o jogo de tabuleiro convida os participantes a utilizar a imaginação a partir de cartas que representam lendas, locais, objetos e mestres da cultura da região.
A construção coletiva do “Imaginário Cariri” iniciou em 2024, a partir de uma ação do Laboratório Experimental de Jogos, Comunicação e Audiovisual (SMD Lab) e do Incrível Grupo de Estudos em Jogos de Tabuleiro (Igrejota), grupos de extensão vinculados ao curso de Sistemas e Mídias Digitais (SMD) da UFC. Durante dois anos, professores, servidores técnico-administrativos, estudantes e egressos da UFC desenvolveramoficinas criativas e rodas de conversa com crianças e adolescentes de 5 a 16 anos i ntegrantes da Fundação Casa Grande.
“Com o material elaborado pelas crianças, investigamos as características das narrativas e dos personagens e destacamos algumas diretrizes para pensar na metáfora e nas mecânicas do jogo. Criamos um primeiro protótipo e o levamos para Nova Olinda para testar com as crianças e ouvir as sugestões de melhorias”, explica Glaudiney Mendonça, professor da UFC e coordenador do Igrejota. “Na última visita, levamos o jogo finalizado e apresentamos para elas como as ideias foram incorporadas e foi muito legal ver a recepção delas com o material produzido”, complementa.
A personagem Dindilda, por exemplo, conhecida como “a mulher do dindin”, foi concebida por José Venâncio, de 13 anos, supervisor de comunicação da Fundação Casa Grande. “Achei muito interessante a gente criar os personagens para o jogo. Gostei bastante de como ele funciona e achei muito bonitos os desenhos que fizeram a partir dos nossos”, relata.
Para Andrea Pinheiro, professora da UFC e coordenadora do SMD Lab, a experiência demonstra o potencial da universidade de construir conhecimento em diálogo com os territórios. “É uma oportunidade de olhar para nossa região do Cariri cearense, reconhecer suas potencialidades e apresentar essas riquezas de forma lúdica, permitindo que pessoas de diferentes idades conheçam e se apropriem desse patrimônio”, afirma.
ACESSIBILIDADE – Outro diferencial do jogo é a incorporação de recursos de acessibilidade voltados para pessoas com deficiência visual. As soluções incluem elementos táteis, peças impressas em 3D, QR codes com descrições acessíveis e orientações que favorecem a participação conjunta de pessoas cegas e videntes durante as partidas.
“Pensamos em como uma pessoa com deficiência visual pode jogar com autonomia e sem se sentir deslocada. Uma grande contribuição do projeto é promover inclusão, coparticipação e transformação na forma como as pessoas compreendem a acessibilidade”, explica Allan George Bezerra, servidor técnico-administrativo da UFC e agente de acessibilidade do jogo.
O jogo, já lançado em Nova Olinda e em Fortaleza, está sendo distribuído para instituições que trabalham com crianças e com pessoas com dificuldades visuais. Já receberam exemplares o Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ) e o Instituto dos Cegos. Em breve, estará disponível também na Biblioteca Pública Estadual do Ceará (Bece).
Fonte: Glaudiney Mendonça, professor do curso de Sistemas e Mídias Digitais da UFC e coordenador do Igrejota – e-mail:imaginariocariri@gmail.com
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