External Publication
Visit Post

Colossal, empresa que trouxe de volta o lobo terrível, cria banco biológico para armazenar amostras de espécies em extinção

Home | Época Negócios [Unofficial] June 29, 2026
Source
O banco biológico criado pela Colossal Biosciences Divulgação O governo dos EUA está firmando uma parceria com a Colossal Biosciences, empresa sediada no Texas e especializada em "desextinção" (retorno de animais extintos no passado), para criar um repositório nacional de material genético de espécies ameaçadas de extinção. O esforço acontece no momento em que a administração Trump se move para enfraquecer as proteções a essas espécies, incluindo uma decisão recente de liberar perfuração de petróleo e gás em alto-mar, mesmo que prejudique animais ameaçados, relata a Wired. Em colaboração com o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA (US Fish and Wildlife Service), cientistas pretendem coletar células, tecidos reprodutivos e DNA de mais de 2.300 espécies de plantas e animais — tanto dos EUA quanto de outras partes do mundo — protegidas pela Lei de Espécies Ameaçadas de Extinção (Endangered Species Act), de 1973. As amostras serão criopreservadas e armazenadas no laboratório da Colossal em Dallas, com duplicatas distribuídas por todo o país. A empresa, que no ano passado afirmou ter criado filhotes vivos de lobo-terrível, realizará o sequenciamento genético das amostras e disponibilizará os dados para pesquisadores e conservacionistas. Nos termos da parceria, o governo federal deterá a propriedade das amostras. "Queremos criar cópias de segurança do maior número possível de amostras de espécies", diz Ben Lamm, CEO e cofundador da Colossal. A Colossal está fornecendo kits de coleta para que seus parceiros em campo possam obter amostras de sangue, pele e outros tecidos. Lamm afirma que a coleta já começou. "Queremos criar cópias de segurança do maior número possível de amostras de espécies", diz Ben Lamm, CEO e cofundador da Colossal Biosciences Divulgação "Esta colaboração une a expertise científica do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA e a engenhosidade do setor privado para desenvolver novas ferramentas que possam ajudar a recuperar espécies, preservar recursos genéticos críticos e fortalecer o futuro da conservação da vida selvagem", afirma em comunicado o Secretário do Interior, Doug Burgum. (O Serviço de Pesca e Vida Selvagem, que integra o Departamento do Interior, não respondeu a um pedido de mais detalhes sobre a parceria.) O Serviço de Pesca e Vida Selvagem fez isso ao clonar o furão-de-pés-pretos — um dos mamíferos mais ameaçados da América do Norte —, utilizando células criopreservadas de um animal que havia morrido na década de 1980. Anunciado em 2021, esse foi o primeiro caso de clonagem de uma espécie ameaçada de extinção nos EUA. O "Frozen Zoo" (Zoológico Congelado), da San Diego Zoo Wildlife Alliance, forneceu a amostra para esse trabalho. Durante o governo Trump, o Serviço de Pesca e Vida Selvagem propôs mudanças significativas na histórica Lei de Espécies Ameaçadas de 1973, que poderiam reduzir as proteções a plantas e animais em risco. As alterações propostas incluiriam considerações econômicas e de segurança nacional na definição de habitats protegidos e eliminariam uma "regra geral" que concede automaticamente às espécies ameaçadas as mesmas proteções rigorosas aplicadas às espécies em perigo crítico de extinção. Os irmãos Remus e Romulus, criados pela Colossal Biosciences Divulgação No início deste ano, o presidente Donald Trump convocou o chamado "God Squad" (Esquadrão de Deus) — um grupo de altos funcionários do governo, do qual Burgum faz parte — para avaliar se deveriam ser contornadas as proteções a espécies ameaçadas no Golfo do México. O grupo, que se reuniu pouquíssimas vezes desde a criação da Lei de Espécies Ameaçadas, decidiu conceder isenções a empresas de petróleo e gás na região. (Ambientalistas processaram o governo devido a essa decisão.) Noah Greenwald, diretor do programa de espécies ameaçadas do Center for Biological Diversity (Centro para a Diversidade Biológica), uma organização sem fins lucrativos sediada no Arizona, afirma que a nova iniciativa com a empresa Colossal é coerente com a postura do governo em relação à conservação, em parte porque não entra em conflito com os interesses da indústria. "Isso não é preservação da biodiversidade", diz ele. "É como um último recurso. Só precisaremos desse material genético se o governo fracassar na manutenção de espécies ameaçadas." O Center for Biological Diversity tem criticado as mudanças propostas na Lei de Espécies Ameaçadas. Greenwald defende que os esforços de conservação deveriam, em vez disso, concentrar-se na proteção de terras públicas — como parques nacionais e áreas de natureza selvagem — para evitar a perda de espécies. Mesmo que seja possível trazer de volta espécies extintas ou ameaçadas com o uso de tecnologia, ele ressalta, é preciso que haja habitat disponível para sustentar essas espécies. Lamm afirma que a parceria da Colossal com o governo federal vinha sendo articulada há quatro anos, tendo as negociações começado inicialmente com a administração Biden. "Embora tenham visões diferentes sobre questões como as mudanças climáticas, eles concordam que um mundo com menos espécies é algo ruim", diz ele. Burgum elogiou o anúncio da Colossal sobre o lobo-terrível no ano passado, ao mesmo tempo em que criticou a lista de espécies ameaçadas de extinção por favorecer "mais a regulamentação do que a inovação". Em uma publicação no X, ele citou a tecnologia de desextinção da empresa como uma forma de "ajudar a construir um futuro no qual as populações nunca corram riscos". "Eles realmente gostam de tecnologia", diz Lamm sobre a administração Trump. "Parecem gostar de ganhar e economizar dinheiro." A proposta da Colossal para a administração foi a de arcar inicialmente com os custos do biobanco. A startup, fundada há cinco anos, tem feito anúncios de grande repercussão sobre o ressurgimento de espécies extintas; um exemplo ocorreu no ano passado, quando utilizou técnicas de edição genética em lobos-cinzentos para criar características presentes nos extintos lobos-terríveis. Também empregou a edição genética para produzir o que chamou de "camundongos lanosos", devido à sua pelagem semelhante à do mamute. A empresa, avaliada em mais de US$ 10 bilhões, também ambiciona trazer de volta o dodô e o mamute-lanoso, com o objetivo de restaurar ecossistemas e combater as mudanças climáticas. A empresa também quer trazer de volta o pásaro Dodô Colossal Biosciences A colaboração com o governo dos EUA faz parte do projeto BioVault da Colossal, anunciado no início deste ano. A empresa não revelou exatamente quanto investiu na iniciativa, mas Lamm afirma que o valor está na casa das "dezenas de milhões de dólares". Ela também mantém uma parceria com os Emirados Árabes Unidos — cujo governo investiu recentemente US$ 60 milhões na empresa — para armazenar material genético de espécies ameaçadas, tanto do país quanto de outras partes do mundo. Esse acervo ficará abrigado no Museu do Futuro, em Dubai. Lamm afirma que o BioVault não compete com as técnicas de conservação existentes, mas atua, na verdade, como um "sistema de redundância".

Discussion in the ATmosphere

Loading comments...