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Jurassic Park da vida real? Ovo artificial impresso em 3D gera 26 pintinhos e vira aposta para ‘reviver’ animais extintos há séculos; entenda

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo May 23, 2026
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A Colossal Biosciences, startup americana de “desextinção” que tenta trazer de volta espécies desaparecidas como o moa gigante da Nova Zelândia e o dodô, anunciou um avanço inédito: 26 pintinhos saudáveis nasceram a partir de ovos artificiais impressos em 3D. O experimento, divulgado em 19 de maio de 2026, é tratado pela empresa como uma prova de conceito para seu objetivo de desenvolver incubadoras capazes de sustentar embriões de aves extintas ou ameaçadas. É um porco? Um coelho? Um tamanduá? Animal de aparência exótica nasce em zoológico inglês; vídeo Clima extremo: Ossos expostos por seca levam à descoberta de dinossauro gigante na Tailândia O sistema criado pela Colossal combina uma estrutura rígida, com treliça de titânio impressa em 3D, e uma membrana bioengenheirada de silicone semipermeável. A ideia é reproduzir a principal função da casca natural: permitir a entrada de oxigênio, a saída de dióxido de carbono, a retenção de umidade e a proteção contra contaminantes. Segundo a empresa, o material tem capacidade de transferência de oxigênio de 21%, acima da absorção de uma casca orgânica de ovo de galinha. Há, no entanto, uma limitação importante: o ovo artificial não fornece cálcio, elemento que aves em desenvolvimento normalmente retiram da parte interna da casca. Ovo artificial com membrana de silicone pode ser 'chave' para reviver espécies extintas Reprodução: Colossal Biosciences — A única coisa que estamos suplementando é cálcio. Os embriões em desenvolvimento não conseguem obter cálcio de, sabe, titânio impresso em 3D, aparentemente — disse Ben Lamm, CEO e cofundador da Colossal, ao Gizmodo. Veja vídeo: Lula-gigante muda de cor diante de mergulhador na Austrália Lamm afirmou ainda que a empresa não pretende ampliar a criação de galinhas a partir do teste. — Sabe, nós já temos 26 galinhas. Não precisamos de mais. Vamos deixá-las viver suas vidas naturais — afirmou. Ovos com janela Além da membrana de silicone, o ovo artificial tem uma janela transparente na parte superior, que permite aos cientistas observar o desenvolvimento do embrião sem interferir no ambiente interno. Segundo a Colossal, o formato pode ser ajustado para diferentes tamanhos, de ovos menores, como os de pombos, a estruturas muito maiores, como as necessárias para espécies extintas de grande porte. 'Fantasma dos Andes' reaparece na Argentina: gato-andino é considerado um dos felinos mais ameaçados de extinção das Américas Andrew Pask, diretor de Biologia da Colossal e especialista em epigenética, afirmou que a membrana foi projetada para reproduzir a eficiência da casca natural. — É uma membrana muito fina e realmente especializada, que permite uma troca gasosa muito eficaz, que é aquilo para o qual a casca do ovo é incrivelmente projetada — disse Pask. A empresa afirma que o sistema foi pensado para ser escalável e produzido em massa, no futuro, por técnicas de baixo custo, como moldagem por injeção. Os próximos testes devem envolver ovos menores, de pombos, e maiores, de emas. Edição genética Apesar do anúncio, o ovo artificial não substitui todas as etapas biológicas da reprodução. No teste atual, ovos postos por galinhas reais foram examinados entre 24 e 48 horas após a postura. Em seguida, o conteúdo viável foi transferido para a estrutura artificial, sem a casca natural. Ou seja: fertilização e postura ainda ocorreram dentro de uma ave viva. Para projetos de desextinção, como os do dodô e do moa gigante, a intervenção genética precisaria ocorrer muito antes. Segundo Hans Cheng, geneticista molecular da Universidade Estadual de Michigan e ex-pesquisador do Serviço de Pesquisa Agrícola do Departamento de Agricultura dos EUA, quando um ovo fertilizado já foi posto, o embrião tem cerca de 50 mil células — número alto demais para edição genética com as técnicas atuais. A estratégia da Colossal passa pelas chamadas células germinativas primordiais, precursoras de espermatozoides e óvulos. No ano passado, a empresa informou ter cultivado esse tipo de célula a partir do pombo-comum, espécie próxima do pombo-de-nicobar, apontado como possível substituto no projeto do dodô. Para o moa gigante, a empresa ainda não escolheu uma espécie substituta, embora ema e tinamídeo estejam entre as possibilidades. O papel do ovo artificial, nesse cenário, seria assumir a incubação em uma etapa posterior, quando o embrião de uma ave extinta de grande porte ultrapassasse o tamanho viável para o ovo de uma espécie substituta. Cientistas veem potencial, mas cobram transparência Pesquisadores independentes consideraram o sistema promissor, mas destacaram que o avanço ainda é parcial. Vincent Lynch, biólogo evolutivo da Universidade de Buffalo, classificou a reformulação da membrana protetora como “um desenvolvimento biotecnológico muito legal”, mas ponderou que a membrana é apenas um dos componentes de um ovo. — Eles não desenvolveram todas as outras partes — disse Lynch. A Colossal não divulgou a taxa de sucesso do experimento, ou seja, quantos embriões foram usados para que 26 pintinhos nascessem. Também não publicou, até o anúncio de maio de 2026, um artigo revisado por pares ou uma base de dados pública, o que impede a avaliação independente completa da metodologia. Christopher Preston, especialista em vida selvagem e meio ambiente da Universidade de Montana, afirmou que a tecnologia poderia, em tese, ajudar ações de conservação, como a adaptação de aves ameaçadas a mudanças climáticas ou doenças. Mas, para isso, seria necessário combinar o sistema de incubação com edição genética em aves. Já Stuart Pimm, ecólogo da Universidade Duke, observou que, para a maioria das espécies ameaçadas, medidas mais imediatas seguem sendo a redução da perda de habitat, colisões com edifícios e predação por gatos soltos. Aplicação na indústria avícola é improvável Embora especialistas apontem que a tecnologia poderia impactar a indústria avícola, a própria Colossal diz não ter planos de entrar no mercado agrícola. Segundo Lamm, o foco da empresa continuará em conservação e experimentos de desextinção. Na avaliação de Cheng, o interesse comercial também seria limitado: galinhas domésticas já põem cerca de 300 ovos por ano a baixo custo. O potencial mais imediato, segundo cientistas citados, pode estar na pesquisa em biologia do desenvolvimento, já que a janela transparente permitiria acompanhar diretamente a formação de órgãos e vasos sanguíneos em embriões. Fundada em 2021 por Ben Lamm e pelo geneticista George Church, da Universidade Harvard, a Colossal Biosciences já arrecadou mais de US$ 600 milhões e é avaliada em mais de US$ 10 bilhões. Seu portfólio de projetos inclui, além do dodô e do moa gigante, o mamute-lanoso, o tilacino e o lobo-terrível, espécie da qual a empresa afirma ter obtido três filhotes nascidos em 2024.

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