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"Trechos da floresta amazônica hoje produzem carbono em vez de removê-lo", alerta o climatologista Carlos Nobre

Home | Época Negócios [Unofficial] June 12, 2026
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O cientista Carlos Nobre participou do Web Summit Rio na quinta-feira (11) ao lado de Ben Valks, fundador e CEO da Black Jaguar Foundation, e Constance Malleret, jornalista do The Guardian Lia Hama “Na região que engloba o sul do Pará e o norte do Mato Grosso, a floresta virou fonte de carbono. No mundo inteiro, os biomas removem até 30% [de CO2] que nós emitimos. O resto da Amazônia remove [CO2], mas ali virou uma fonte [de emissão de CO2]. Isso é muito preocupante. A Amazônia está à beira de um ponto de não retorno.” Esse foi o tom da apresentação do climatologista Carlos Nobre no Web Summit Rio 2026, na quinta-feira (11/06), último dia do evento. Os dados acima são resultado de um trabalho liderado pela pesquisadora do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) Luciana Gatti. Segundo o estudo, por causa do desmatamento e das queimadas, uma parte da floresta amazônica, em vez de absorver o gás carbônico da atmosfera, está se tornando emissora de CO2. Nobre voltou a lembrar que o Brasil precisa acelerar os investimentos para cumprir a meta do governo federal de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030 e evitar que o país atinja o ponto de não retorno, marco crítico a partir do qual as mudanças ambientais se tornam irreversíveis. "Essa meta de 12 milhões é totalmente atingível, mas é preciso haver um investimento maior. Amazônia, Cerrado, Pantanal e Caatinga estão à beira do ponto de não retorno, então nós precisamos aumentar muito mais a escala de restauração para evitar que isso aconteça”, afirmou. "O custo é alto: estamos falando de investimentos de bilhões e bilhões de dólares. Mas os serviços ecossistêmicos pagam. Só o mercado de carbono já paga tudo isso em uma ou duas décadas”, acrescentou o cientista. Ao seu lado no palco, o outro panelista, Ben Valks, fundador e CEO da Black Jaguar Foundation, falou sobre o trabalho da ONG para restaurar o corredor de biodiversidade da Bacia do Rio Araguaia, que liga a Amazônia ao Cerrado e possui cerca de 2.600 quilômetros de extensão. "Precisamos multiplicar e escalar projetos como o do Black Jaguar, cuja meta é plantar 1,7 bilhão de árvores nativas ao longo de 20 anos na região do Araguaia", disse Carlos Nobre, referindo-se à ONG, que atua em parceria com proprietários rurais locais. Ameaça ao agronegócio Para o cientista, avançar as lavouras e os pastos sobre a floresta amazônica não faz sentido e coloca em risco o próprio agronegócio exportador brasileiro. “Mais de 50% da chuva do Cerrado vêm do vapor d'água da Amazônia, que nós chamamos de rios voadores. É isso o que torna viável a agricultura nesses lugares”, apontou Nobre. O climatologista comemorou os índices de queda de desmatamento no Brasil nos últimos anos – em especial, o da Amazônia – e apontou a necessidade de escalar iniciativas que busquem transformar áreas degradadas em restauração florestal. “Nós não podemos ser pessimistas, temos que buscar soluções”, defendeu o cientista. Ele destacou como exemplo positivo o programa Arco da Restauração da Amazônia, lançado pelo BNDES, que prevê investimentos de R$ 204 bilhões para restaurar 24 milhões de hectares de florestas até 2050. “Isso é essencial para salvar o ecossistema com a maior diversidade do mundo, mas é preciso fazer mais”, cobrou o cientista. O recado foi compartilhado por seu colega de palco. “Se não fizermos nada [para combater a crise climática], não haverá mais alimentos, não haverá mais Web Summit, não haverá mais vida humana”, resumiu Ben Valks, da Black Jaguar Foundation. A cobertura do Web Summit Rio 2026 na Editora Globo é apresentada pelo Itaú. Mais Lidas

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