re.green e Novo Nordisk fecham acordo para restaurar área degradada da Amazônia
Um só Planeta [Unofficial]
June 24, 2026
A empresa brasileira de restauração ecológica re.green e a farmacêutica Novo Nordisk anunciaram uma parceria para desenvolver um projeto de restauração florestal na Amazônia. O acordo, com duração de 20 anos, prevê a recuperação inicial de 500 hectares de áreas degradadas em Paragominas, no Pará, e a geração estimada de 87.895 créditos de remoção de carbono ao longo do período. Segundo as empresas, o projeto será implementado em áreas arrendadas por meio de parceria com proprietários rurais. A restauração combinará regeneração natural e plantio ativo de espécies nativas da Amazônia. O modelo também prevê até 30% de manejo sustentável de madeira nativa. De acordo com as informações divulgadas pelas companhias, a iniciativa busca recuperar a chamada "funcionalidade ecológica da paisagem", favorecendo, por exemplo, o retorno da biodiversidade e contribuindo para a recomposição de recursos hídricos. O acompanhamento do desenvolvimento da floresta será feito por meio de monitoramento ambiental contínuo, com uso de dados de campo e tecnologias de sensoriamento remoto, segundo a re.green. "À medida que crescemos para atender mais pacientes, reduzir nosso impacto ambiental continua sendo uma prioridade central para a Novo Nordisk. O Brasil é extremamente importante para nós — não apenas pelos pacientes que atendemos aqui, mas porque o país abriga ecossistemas como a Amazônia, vitais para a estabilidade climática, a segurança hídrica e a biodiversidade", disse Dorethe Nielsen, Vice-Presidente Associada de Responsabilidade Ambiental da Novo Nordisk. Saiba mais Além dos impactos ambientais previstos, o projeto deverá resultar na emissão de créditos de carbono certificados por metodologias internacionais alinhadas aos Core Carbon Principles (CCP), diretrizes desenvolvidas pelo Conselho de Integridade para o Mercado Voluntário de Carbono (ICVCM). A primeira emissão está prevista para novembro de 2031, com verificações periódicas a cada três anos até 2045. As empresas afirmam que a restauração também poderá contribuir para fortalecer cadeias produtivas ligadas à coleta de sementes e produção de mudas nativas, além de criar oportunidades econômicas para comunidades locais. Fundada em 2021, a re.green atua na restauração de áreas degradadas nos biomas Amazônia e Mata Atlântica. A empresa informa que desenvolve projetos voltados à geração de créditos de carbono e à recuperação de ecossistemas florestais. Em 2025, recebeu o Earthshot Prize, premiação internacional voltada a soluções ambientais. "A restauração em larga escala de nossas florestas tropicais depende da colaboração entre atores comprometidos com a agenda climática e de iniciativas capazes de transformar áreas degradadas em ecossistemas funcionais. Nossa parceria com a Novo Nordisk reforça esse movimento e demonstra como o setor privado pode contribuir de forma concreta para a restauração de paisagens em regiões como a Amazônia, um dos biomas mais importantes e ameaçados do mundo. Isso traz benefícios não apenas para a biodiversidade e o planeta, mas também apoia o desenvolvimento das comunidades do entorno”, afirmou em comunicado Thiago Picolo, CEO da re.green. Tendência A iniciativa se soma a um número crescente de projetos que buscam combinar restauração florestal, geração de créditos de carbono e desenvolvimento econômico em territórios amazônicos. Nos últimos anos, empresas de diferentes setores têm ampliado investimentos em ações de recuperação ambiental associadas à conservação da biodiversidade e ao fortalecimento de cadeias produtivas locais. Um exemplo é o projeto Sementes da Amazônia, desenvolvido pela Alcoa em Juruti, no oeste do Pará. A iniciativa foi reconhecida no Prêmio ESG 2026 e envolve 145 famílias do Projeto de Assentamento Extrativista Juruti Velho na produção de mudas frutíferas, florestais e ornamentais destinadas à restauração de áreas degradadas. Segundo a empresa, o projeto gerou R$ 2,7 milhões em renda para as comunidades participantes em 2025 e contribuiu para a restauração de cerca de 900 hectares de floresta entre 2023 e 2025. Embora adotem modelos distintos, iniciativas como as da re.green e da Alcoa refletem uma tendência de aproximar a agenda climática de estratégias de desenvolvimento local, apostando na recuperação de áreas degradadas e na geração de oportunidades econômicas para populações que vivem na Amazônia. O avanço desse tipo de iniciativa também ocorre em escala internacional. Recentemente, empresas como Danone, Mars, Hermès, SAP e Schneider Electric anunciaram apoio ao Livelihoods Carbon Fund 4 (LCF4), fundo voltado ao financiamento de soluções climáticas baseadas na natureza. A iniciativa pretende captar € 150 milhões para investir em projetos de restauração ambiental, agroflorestas, recuperação de manguezais e agricultura regenerativa, com a meta de evitar ou remover entre 7 milhões e 10 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) ao longo dos próximos 25 anos. O movimento reflete uma tendência crescente de mobilização de capital privado para projetos que associam mitigação das mudanças climáticas, conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico. Além da geração de créditos de carbono, muitas dessas iniciativas têm buscado incorporar benefícios adicionais, como fortalecimento de comunidades locais, recuperação da biodiversidade e aumento da resiliência de territórios vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas. Mais Lidas
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