Vacina de mRNA apresenta resultados positivos contra o melanoma, mais agressivo câncer de pele que existe
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June 3, 2026
Cerca de 70% dos pacientes com melanoma que receberam uma vacina personalizada de mRNA combinada à imunoterapia não apresentavam nenhum sinal da doença cinco anos depois — contra 49% dos que fizeram apenas imunoterapia. Os dados são de um estudo publicado no Journal of Clinical Oncology, como reportado pela Forbes. A diferença na sobrevida geral foi ainda mais expressiva: 92% dos pacientes com os dois tratamentos continuavam vivos no mesmo período, frente a 71% do grupo apenas com imunoterapia. O melanoma é um dos cânceres de pele mais letais quando diagnosticado em estágio avançado, e costuma apresentar remissão em cerca de metade dos pacientes tratados dentro dos primeiros cinco anos. A pesquisa sugere que a tecnologia de mRNA — a mesma base de diversas vacinas desenvolvidas emergencialmente durante a pandemia da Covid-19 por empresas como a Pfizer e a Moderna — pode ter aplicação terapêutica muito além das doenças infecciosas. Se os resultados do estudo forem confirmados em etapas seguintes, a técnica pode representar uma ruptura com décadas de tratamento oncológico baseado em cirurgia, quimioterapia e radioterapia — substituindo o modelo padronizado por um personalizado. Como funciona a vacina? Ao contrário das vacinas convencionais — em que todos recebem o mesmo imunizante —, no caso das variantes de mRNA, o tumor de cada paciente é sequenciado geneticamente, e os pesquisadores identificam mutações específicas daquele câncer. A partir daí, proteínas anômalas presentes apenas nas células tumorais são codificadas em uma vacina sob medida. Ao ser injetada, ela instrui as células do corpo a produzirem temporariamente essas proteínas, treinando o sistema imunológico a reconhecer e atacar o tumor. A velocidade de produção é outra vantagem em relação às vacinas tradicionais. Enquanto métodos convencionais exigem o cultivo de vírus atenuados em laboratório — processo que pode levar meses ou anos —, a criação de uma vacina de mRNA a partir do sequenciamento genético leva, em média, algumas semanas. Os efeitos adversos mais relatados no estudo foram fadiga, calafrios e reações no local da injeção, como dor. Ainda há perguntas sem resposta, como quais pacientes se beneficiam mais, por quanto tempo a proteção dura e se os resultados se replicam em outros tipos de câncer. Mas ensaios de fase 3, de maior escala, devem ajudar os pesquisadores a preencher essas lacunas. Além disso, outros estudos já investigam a viabilidade da aplicação da abordagem para o tratamento de outros tipos de cânceres, como de pulmão e de rim. *Com supervisão de Marisa Adán Gil Mais Lidas
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